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A vez do produto orgânico
06/06/2014

 

A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) lançou a primeira semente orgânica de milho do País, durante a Bio Brazil Fair, feira de produtos orgânicos, naturais e ecológicos, no Ibirapuera, na capital, que começou no dia 4 e termina amanhã (7). A variedade, chamada Al Avaré, foi pesquisada na fazenda Ataliba Leonel, em Manduri, na região de Assis, pelo Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes da Cati, vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento. Sua produção, no entanto, ocorreu numa propriedade particular em Marília, credenciada pela secretaria e órgãos certificadores de sistemas orgânicos.

O produto estará disponível no segundo semestre, com preço ainda indefinido, em sacos de 5 quilos, nas casas de agricultura, em quase todos os municípios paulistas, e em outras unidades da Cati. Antes, a semente será colhida, secada, limpa, selecionada, analisada, beneficiada, classificada e embalada para o comércio. Três técnicos da Cati atendem os interessados no estande da Secretaria da Agricultura, na Bio Brazil: os agrônomos João Paulo Whitaker, Cláudio Funai e o diretor do Departamento de Sementes, Edson Coutinho.

Sem produtos químicos – Whitaker lembra que a variedade Al Avaré, do tipo crioulo, é um milho mais rústico que o convencional. “Vai gerar uma planta resistente a pragas e doenças, com baixa perda por quebra e de boa tolerância a seca”, assegura. Whitaker diz se tratar de um produto certificado pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa) e pela entidade IBD (Associação de Certificação do Instituto Biodinâmico). Ele garante ser um grão especial para o manejo orgânico, sem utilização de produtos químicos no controle de pragas ou na adubação. A colheita de Marília de verá render de 6 a 7 mil sacos de 5 quilos cada, para venda ao produtor.

Cláudio Funai informa que o Al Avaré começou a ser estudado em 2009, na fazenda Ataliba Leonel, e este ano a produção de Marília estará pronta para uso comercial. “A utilização de compostos orgânicos neste milho será essencial para seu desenvolvimento.” Edson Coutinho elogia o projeto da Cati, principalmente pela parceria que uniu o Governo paulista à iniciativa privada.

São Paulo Orgânico – Quem passa pelo estande da Secretaria da Agricultura também conhece as linhas de financiamento do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) para produtores que desejam migrar do sistema convencional para o orgânico. O objetivo do crédito é financiar a compra de equipamentos, insumos, modernização do cultivo e certificação. Também é possível obter recursos para o agricultor produzir o seu próprio composto orgânico, analisar em laboratório água, solo, fertilizantes e outros materiais e, ainda, obter o pagamento de outorgas (licenciamento) da água e o georreferenciamento da propriedade.

Todos esses recursos estão previstos no programa São Paulo Orgânico, das secretarias estaduais de Agricultura e do Meio Ambiente, lançado em março do ano passado. O teto de financiamento é de R$ 200 mil por agricultor, pessoa física ou jurídica; e de R$ 500 mil por cooperativa ou associação de produtores. O prazo de pagamento é de até sete anos, incluída a carência de até quatro anos. O encargo financeiro é de 3% de juros ao ano.

Outro objetivo do São Paulo Orgânico é capacitar técnicos das duas secretarias para que possam orientar o produtor no novo sistema. Os cursos são feitos na unidade de agricultura ecológica da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), em São Roque, por onde passaram 231 técnicos para atuar como multiplicadores do programa.

DOE, Executivo II, 06/06/2014, p. IV