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Ações para barrar entrada de influenza aviária no Brasil
17/06/2014

 

Turistas que vêm ao Brasil assistir aos Jogos da Copa do Mundo FIFA 2014 trazem dinheiro, alegria, cultura, línguas estranhas, novos hábitos, bem como micro-organismos que não existem por aqui e podem prejudicar pessoas, animais e plantas. Vírus e bactérias estrangeiras podem atravessar as fronteiras verde-amarelas em roupas, sola de sapatos, mercadorias, objetos, alimentos, etc. Para evitar a entrada no Estado de São Paulo do vírus Influenza, que ataca aves, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) montou esquema de segurança com organizações governamentais e privadas do setor avícola.

O Brasil é o principal exportador desta carne para o mundo; e São Paulo é o maior produtor brasileiro de ovos e aves de reprodução de alta genética. Além disso, a influenza aviária (doença causada pelo vírus) não existe no País e sua entrada em nossas fronteiras seria um flagelo.

A CDA criou um grupo de trabalho composto por representantes e técnicos das secretarias estaduais de Agricultura e Abastecimento (SAA) e da Saúde, entidades ligadas à produção avícola e à sanidade animal e ao Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa). “A função dessas pessoas é montar estratégias e ações que impeçam a entrada e a disseminação de micro-organismos transmissores da influenza no plantel brasileiro de aves”, informa o coordenador da CDA, Heinz Hellwig.

A equipe técnica, adianta Hellwig, montou o Grupo Especial de Atenção à Suspeita de Enfermidades Emergenciais (Gease), com treinamento e equipamentos necessários. Ave ou outro tipo de amostra com indícios da ação do vírus Influenza serão recolhidos e analisados. O microorganismo é perigoso ao animal, levando-o à morte, mas o ser humano geralmente é o veículo transmissor, e não a vítima.

O programa de prevenção intensificou a fiscalização de portos, aeroportos e fronteiras, para evitar a introdução de materiais de risco em posse de passageiros, estrangeiros ou não. O ministério e outros órgãos federais têm pessoas treinadas nesses locais para verificar se o que entra no País tem permissão de importação. O que não estiver devidamente documentado será interditado.

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio da CDA, vai distribuir folhetos, fôlderes e publicações para criadores de aves, incluindo os informais, em pontos estratégicos, com circulação de turistas. Haverá cartazes também em parques e hotéis-fazendas, locais que mantêm aves soltas e costumam receber o público estrangeiro. Os técnicos do Gease farão reuniões com proprietários e criadores de granjas para alertá-los sobre a doença.

Visitas, não – Érico Pozzer, presidente da Associação Paulista de Avicultura, observa que os locais de produção e criação de aves e ovos tradicionalmente são protegidos e ninguém sem licença ou equipamentos adequados pode entrar. “Granja de frangos e ovos não é lugar para visitas ou estranhos”, afirma. Para liberar o acesso, o proprietário deve ceder roupas, máscaras e proteção para os pés.

Em caso de doença nas aves, o mal se alastra rapidamente, porque os animais vivem em bandos, próximos uns dos outros, em contato diário. As cidades paulistas onde há mais produtores avícolas são Bastos, a capital brasileira do ovo, e Guatapará.

A influenza aviária é causada por uma variedade do vírus H5N1, que fica hospedado nas aves, mas também pode infectar mamíferos. A doença atinge aves silvestres, principalmente as aquáticas e domésticas. Geralmente é devastadora, provocando lesões graves nos sistemas respiratório, digestivo, nervoso e reprodutivo.

Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que congrega produtores e exportadores de frango, informa que a doença significou prejuízos de US$ 275 milhões nos Estados Unidos e US$ 110 milhões na Itália, por exemplo. “No México, foi tão letal que as autoridades daquele país tiveram que pesquisar um novo frango imune ao vírus”, disse Turra, que foi ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em 1998 e 1999.

O Estado recebeu seleções de vários países. Alguns deles tiveram problemas com a influenza aviária, caso do México, Irã, Costa do Marfim e Nigéria.

Mais informações em www.defesaagropeucaria.sp.gov.br.

DOE, Executivo II, 17/06/2014, p. I