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Pedágio em SP terá reajuste de 5,29% a partir de terça
28/06/2014

 

A 3 meses das eleições, índice definido por gestão Alckmin é abaixo da inflação

 

Gestão tucana havia congelado aumento da tarifa nas rodovias estaduais em 2013 após onda de protestos

DE SÃO PAULO

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou um reajuste médio de 5,29% nas tarifas de pedágio das rodovias estaduais de São Paulo a partir da próxima terça-feira (1º).

O índice, definido a pouco mais de três meses das eleições, ficou abaixo da inflação de 6,37% medida pelo IPCA/IBGE nos últimos 12 meses.

E ficou muito aquém dos 13,29% de inflação acumulada desde a data do último reajuste, em julho de 2012.

Apesar do aumento médio ser de 5,29%, na prática, devido aos arredondamentos de preços, a alta das tarifas poderá variar de 3,45% a 8,57%. A exceção são duas praças, onde não haverá aumento.

O principal pedágio da Imigrantes, por exemplo, que leva ao litoral sul, sobe 3,77%, de R$ 21,20 para R$ 22. E uma das praças da Raposo Tavares, no interior, está entre as que terão maior reajuste.

A gestão Alckmin já havia congelado a alta do pedágio no ano passado, após a onda de protestos pelo país a partir de junho --apesar de as manifestações terem a tarifa de ônibus como foco, houve até praça de pedágio incendiada no interior paulista.

Agora, às vésperas do período em que Alckmin buscará a reeleição, a alta também ficará aquém dos índices originais previstos nos contratos com as concessionárias.

Os mais antigos tinham como referência de reajuste a inflação aferida pelo IGP-M/FGV, que acumulou 7,84% em 12 meses. Os mais novos, pelo IPCA/IBGE, foram usados agora como referência geral.

Segundo a Artesp (Agência de Transporte do Estado), a medida resulta de "grande esforço para buscar a tarifa mais módica possível".

Procurada, a ABCR (associação que representa as concessionárias de rodovias) não quis se manifestar. Em anos anteriores, empresas chegaram a questionar eventual quebra de contrato pela adoção de critérios diferentes.

O valor dos pedágios em São Paulo é um dos principais motivos de desgaste de gestões tucanas desde os anos 90.

Em 2013, depois do congelamento do reajuste do pedágio, Alckmin disse não se tratar de uma medida "populista", e sim de "não onerar o usuário do sistema".

O governo então anunciou medidas para compensar as perdas de receita --em torno de R$ 400 milhões-- com a suspensão do reajuste.

Uma delas foi implantar a cobrança de pedágio integral para caminhões que estiverem com eixos suspensos, ou seja, sem carga, provocando protestos de caminhoneiros. Válida desde julho de 2013, a cobrança foi mantida agora.

O Estado tem 6.400 km de rodovias sob a concessão de 19 empresas.

(HELOISA BRENHA, GUSTAVO URIBE)

Folha de S. Paulo