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Cai transferência de dívidas entre bancos
02/07/2014

 

Nova regra, que permite a instituição fazer contraproposta para não perder cliente, passou a vigorar há 2 meses

 

Desde maio, também não é mais possível ampliar prazo nem valor da dívida; queixas também diminuíram

EDUARDO CUCOLO
DE BRASÍLIA

Nos dois primeiros meses com as novas regras para transferência de dívidas entre bancos (a chamada portabilidade de crédito), houve queda no número de operações e de reclamações.

Segundo representantes do setor financeiro, a redução se deveu, principalmente, à ação dos bancos para segurar seus clientes.

A nova legislação facilitou a troca de um banco pelo outro, mas também deu às instituições a chance de fazer contrapropostas para não perder o negócio.

Segundo o BC, foram realizadas 13,6 mil operações de transferência em maio e 15,4 mil em junho. Na média, foram transferidos R$ 205 milhões por mês em dívidas de pessoas físicas e empresas.

Desde 2009, não se registravam números tão baixos. Nos últimos cinco anos, a média de operações foi de 35 mil ao mês, com transferências de cerca de R$ 400 milhões.

SEM PRAZO MAIOR

Outra explicação para a queda é que a legislação proibiu operações com aumento de prazo e de valor da dívida. Agora, só é possível mudar a taxa de juros.

O objetivo da restrição foi atender a reclamações dos clientes, que diziam que trocavam de banco para reduzir a prestação, mas não percebiam estar assumindo uma dívida maior.

As novas regras para a portabilidade facilitaram o processo para o consumidor, que não precisa mais ficar correndo de um banco para outro atrás de documentos.

Cabe à instituição que ofereceu juros menores ir atrás das informações.

O banco que pode perder o negócio para o concorrente também tem agora prazo para atender ao pedido: cinco dias úteis. Nesse mesmo período, pode apresentar uma contraproposta.

"Antes, não havia espaço de negociação com o cliente. Você recebia o pedido de transferência do banco que estava comprando a dívida e tinha de cumprir", disse Edmar Casalatina, diretor de empréstimos e financiamentos do Banco do Brasil.

Segundo o executivo, muitas vezes, o banco consegue mostrar ao cliente que não está fazendo um bom negócio ao aceitar a proposta de "pastinhas", profissionais que atuam fora das agências.

"Por indução de pastinhas, o cliente tinha a impressão de que estava fazendo um bom negócio, mas não estava."

Outra novidade da legislação foi a redução do custo de transferência de dívidas imobiliárias. Esse tipo de operação ainda foi residual nesse primeiro mês, segundo dados do setor financeiro.

A Caixa Econômica Federal, principal banco nessa área, informou que tem como diretriz reter "o máximo que for possível de clientes" que recebam propostas de outras instituições financeiras para portarem o seu crédito.

Folha de S. Paulo