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Com pouca chuva, nível do Cantareira atinge 18,8%
10/7/2014

 

Em junho, choveu sobre a região das represas do sistema só 28,5% da média

 

Nos últimos dois dias, no entanto, chuvas chegaram a quase 1/3 do previsto para todo o mês de julho

DE SÃO PAULO

A crise no sistema Cantareira se agravou desde abril passado, quando o governo de São Paulo anunciou a cobrança --agora deixada de lado-- da sobretaxa para quem elevasse seu gasto de água.

Nesta quarta-feira (9), o nível dos reservatórios que abastecem quase 9 milhões de pessoas na Grande São Paulo estava em 18,8% de sua capacidade.

A medição considera o "volume morto". Em 15 de maio, quando essa reserva do fundo das represas passou a ser utilizada, o nível era de 26,7%. A diferença agora é de 7,9 pontos percentuais.

Os registros pluviométricos de junho mostram que o mês teve chuvas muito abaixo da média na região das represas do Cantareira.

Enquanto a média histórica é de 56 mm, choveu apenas 16 mm durante os 30 dias do mês passado --apenas 28,5% do previsto.

Também por causa disso, como mostrou a Folha, o ritmo do rebaixamento das represas aumentou.

A queda no nível do Cantareira está há praticamente 20 dias na casa de 0,2 ponto percentual ao dia. Antes, vinha caindo a metade disso: 0,1 ponto percentual.

As chuvas dos últimos dois dias poderão reverter essa situação. Na terça (8) e nesta quarta (9) choveu 14,7 mm no total, quase um terço da média histórica, de 49,9 mm, do mês de julho.

SETEMBRO

Se a queda continuar perto de 0,2 ponto percentual, a estratégia do governo paulista, de adiar ao máximo o rodízio de água para praticamente metade dos moradores da Grande São Paulo, vai ficar cada vez mais dependente das chuvas.

A expectativa da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) é de que as chuvas que costumam vir a partir de setembro contribuam para regularização do nível das represas.

Ainda não existem previsões meteorológicas confiáveis sobre como será o regime de chuvas da próxima primavera/verão.

A participação da população na campanha de economia de água é outro fator positivo, segundo o governo, fazendo a sobretaxa deixar ser necessária agora.

Segundo os números oficiais, 91% da população atendida pelo Cantareira baixou o consumo até agora. Em abril, quando houve o anúncio da cobrança de sobretaxa, o índice estava em 81%.

A Sabesp, empresa responsável pelo abastecimento da região, vem afirmando que que adota ações para retardar a perda de reserva, como o bônus para o consumidor que reduzir seu consumo e o uso de outros sistemas para abastecer bairros antes atendidos pelo Cantareira.

Folha de S. Paulo