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BNDES financia socorro ao setor elétrico
22/07/2014

 

Para cobrir gastos extras, banco estatal deve participar com R$ 3 bi, e consórcio privado, com mais R$ 3,5 bi

 

Preço mais alto da eletricidade faz com que governo precise ajudar distribuidoras desde o começo do ano

DE BRASÍLIA

O governo vai recorrer ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para tapar o buraco de caixa das distribuidoras de energia elétrica.

Ao todo, a equipe econômica estima que o setor precisa de mais R$ 6,5 bilhões neste ano; o banco estatal entraria com R$ 3 bilhões, e o restante viria de empréstimos de outros bancos, como antecipado pelo jornal "O Estado de S. Paulo".

A crise que atinge as distribuidoras --que não têm dinheiro suficiente em caixa para pagar as dívidas mensais com a compra de energia-- vem pressionando o governo a criar medidas de socorro para o setor desde o início deste ano.

Até o momento, a ajuda do governo já incluiu uma injeção de R$ 1,2 bilhão do Tesouro e a intermediação de um financiamento bancário de R$ 11,2 bilhões, com a participação de dez instituições, incluindo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

A solução costurada pelo governo, com alguma participação das empresas, permite que os recursos entrem na conta do setor elétrico --a conta ACR, vinculada à CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica)-- e sigam diretamente para o pagamento das empresas do setor.

Na semana passada, o governo se reuniu com 15 bancos para discutir um novo empréstimo. Assessores disseram que as negociações estão sendo finalizadas e devem ser fechadas nos próximos dias, quando será definido o valor exato que caberá ao BNDES e aos outros bancos.

Durante a reunião, o governo garantiu às instituições financeiras que essas operações não irão se repetir em 2015. A expectativa é que o setor se normalize com a operação de novas usinas e com o reajuste de tarifas.

INCERTEZAS

A preocupação do governo é calibrar o tamanho dos empréstimos e evitar que as distribuidoras precisem, novamente, recorrer a ajuda financeira. A avaliação é que os R$ 6,5 bilhões resolvam o problema até o final do ano. O setor elétrico, porém, estima que esse valor seja maior.

A equipe econômica tem descartado a hipótese de o Tesouro fazer novo repasse.

A solução para o impasse no setor elétrico precisa ser dada antes do fim deste mês.

O prazo-limite está relacionado com o pagamento que as distribuidoras de energia elétrica precisam fazer às empresas de geração.

A conta de R$ 1,322 bilhão, que corresponde ao gasto em maio, deveria ter sido quitada na segunda semana de julho. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), entretanto, estendeu o prazo até o dia 31 deste mês.

O objetivo da mudança foi justamente dar mais tempo ao governo para costurar uma solução para o caso.

Folha de S. Paulo