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Governo fecha socorro a elétricas com juros maiores
06/08/2014

 

Taxas serão mais altas do que os 12,1% pagos em operação anterior; pacote somará mais R$ 6,5 bi

 

Empréstimo, na visão do governo, será último a distribuidoras e deve reunir 8 bancos; tarifas sobem a partir de 2015

VALDO CRUZ
SOFIA FERNANDES
DE BRASÍLIA

A segunda rodada de empréstimos para socorrer as distribuidoras de energia elétrica deve ser anunciada nesta quarta-feira (6). Contaria com a participação de oito bancos, dois a menos do que na primeira operação, e taxas de juros mais elevadas.

Segundo a Folha apurou, seis bancos já garantiram participação na operação de crédito, que chega a R$ 6,5 bilhões: Banco do Brasil, Caixa Econômica, Bradesco, Itaú, Santander e BTG Pactual.

O governo espera a entrada de mais duas instituições, provavelmente pequenos bancos. Até o final desta semana será definido o custo (juros mais correção monetária) do financiamento.

Para participar do novo socorro, os bancos privados e públicos reivindicam uma taxa maior do que a da primeira operação, que levantou R$ 11,2 bilhões e foi financiada a 12,1% em 12 meses (1,9% de juros mais a variação do CDI).

Segundo um assessor presidencial, o pleito dos bancos deve ser atendido por ser uma segunda operação com a mesma garantia da anterior, além de o cenário de juros estar mais pressionado agora. "É uma tendência natural", disse, sem revelar a nova taxa, mas assegurando que não será muito mais alta.

Na visão do governo, este será o último empréstimo às distribuidoras, que enfrentam dificuldades de caixa para pagar as empresas geradoras pela compra de energia mais cara neste ano.

A princípio, esse custo extra teria que ser financiado com aumento de tarifas, mas isso faria disparar a inflação no ano eleitoral. Para jogar os aumentos para os próximos anos, o governo decidiu primeiro usar recursos do Tesouro para bancar a conta.

Como ela ficou mais cara e o governo estava sem espaço no seu caixa, optou pelos empréstimos bancários, que vão totalizar R$ 17,7 bilhões.

BNDES

Dos R$ 6,5 bilhões da segunda operação, R$ 3 bilhões serão bancados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a taxas semelhantes às das outras instituições.

O restante será financiado pelos demais bancos, obedecendo proporcionalmente à quantia anterior. BB e Caixa entraram com R$ 5 bilhões, juntos, no primeiro empréstimo. Agora, devem entrar com R$ 1,5 bilhão ao todo.

Na reunião desta quarta, o governo fechará a operação, para que as distribuidoras possam ter acesso ao empréstimo para pagar suas dívidas com as geradoras.

Os empréstimos serão pagos entre 2015 e 2017, quando ocorrerão os reajustes de energia represados. Diante da dificuldade para fechar a operação com os bancos, a data do pagamento de uma parcela de R$ 1,3 bilhão, relativa a despesas de maio, havia sido adiada para 28 de agosto.

O setor elétrico ainda não tem certeza, porém, de que o novo empréstimo será suficiente até o final do ano.

Eventuais dificuldades de caixa, segundo o governo, seriam menores e poderão ser cobertas pelo Tesouro, que já desembolsou R$ 4 bilhões para sanear o setor.

Folha de S. Paulo