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Bancos públicos assumem 70% de socorro a elétricas
08/08/2014

 

Dos R$ 6,6 bilhões emprestados, R$ 4,5 bilhões virão de BNDES, BB e Caixa

 

Operação, segunda a ser montada neste ano, visa pagar por energia mais cara sem elevar tarifa em ano eleitoral

SOFIA FERNANDES VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA

Em sua estratégia para evitar reajustes extras de tarifas ou mais sangria no caixa do Tesouro no ano eleitoral, o governo anunciou nesta quinta (7) a segunda rodada de empréstimos para socorrer as distribuidoras de energia elétrica, no valor de R$ 6,6 bilhões e a juros mais altos.

A nova operação conta, até agora, com a participação de oito bancos --três públicos e cinco privados--, que vão receber juros mais altos para bancar o financiamento. O governo afirma que esse será o último empréstimo.

Ao todo, o governo negociou R$ 17,8 bilhões com instituições financeiras neste ano, um pouco mais da metade de bancos públicos, para que as distribuidoras possam pagar pela energia mais cara que estão sendo obrigadas a comprar.

Sem esses empréstimos, o governo teria de socorrer as distribuidoras de energia elétrica com recursos do Tesouro em valor semelhante ao dos empréstimos, o que se mostrou inviável diante da queda na receita provocada pela retração da economia.

Ou teria de optar por reajustes extras de tarifas já neste ano, num momento em que a inflação segue acima dos 6%, o que poderia estourar o teto da meta, de 6,5%.

A segunda rodada de empréstimo terá juros de 2,35% ao ano, mais correção pelo CDI (Certificado de Depósito Interbancário), com prazo de carência até outubro de 2015 e pagamento entre novembro do ano que vem e novembro de 2017. A primeira operação, de R$ 11,2 bilhões, teve taxa de 1,9%, mais CDI.

"A equação do setor elétrico não se faz apenas de empréstimo. Estou afirmando que não teremos mais empréstimo e não consta no planejamento do ano que vem nenhum tipo de empréstimo", disse o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Paulo Cafarelli.

Questionado sobre se haverá novo aporte do Tesouro, caso as distribuidoras precisem de mais recursos, o secretário afirmou "não sei" e explicou que, dentro do compromisso do Tesouro de R$ 13 bilhões com o setor elétrico neste ano, o órgão já gastou R$ 6,45 bilhões até agora.

A operação já tem garantida a participação de sete bancos --Banco do Brasil, Caixa Econômica, Bradesco, Itaú, Santander e BTG Pactual (como antecipou a Folha) e Citibank--, além do BNDES, que vai arcar com R$ 3 bilhões da operação.

Segundo Caffarelli, outros seis bancos ainda avaliam a proposta. O prazo para novos participantes é o dia 15, quando o dinheiro estará disponível às distribuidoras.

Como na primeira rodada, a garantia são os encargos cobrados pelas distribuidoras.

Os R$ 3,6 bilhões da operação que serão bancados pelos demais bancos, fora o BNDES, serão distribuídos seguindo a proporcionalidade do empréstimo anterior, afirmou o secretário. BB e Caixa devem entrar, cada um, com R$ 750 milhões. Na primeira rodada, foi R$ 2,45 bilhões cada um. Bank of America, Credit Suisse e JPMorgan são os bancos que participaram da primeira rodada e não confirmaram presença na segunda.

Folha de S. Paulo