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Plano Diretor prevê desativar Minhocão, mas não fixa prazo
12/08/2014

 

Diretriz de projeto em vigor é por desativação progressiva do elevado no centro da cidade

 

DE SÃO PAULO

Considerado por muitos especialistas como fracasso urbanístico mais simbólico da cidade de São Paulo, o Minhocão deve ser progressivamente desativado, até que seja viável sua demolição ou transformação em um parque.

A diretriz está prevista no Plano Diretor em vigor desde 31 de julho. Aprovado na Câmara e sancionado pelo prefeito Fernando Haddad (PT), ele traça os rumos do crescimento da capital por 16 anos.

O projeto não determina em quanto tempo o elevado de 2,8 km deveria deixar de ser usado pelos carros. Diz, porém, que um projeto de lei específico deve fazer isso.

Atualmente, já existe um projeto tramitando na Câmara desde janeiro, independente do Plano Diretor, que prevê prazos para uma desativação do Minhocão.

Se ele for aprovado pelos vereadores, 90 dias depois da sanção do prefeito o elevado seria fechado aos sábados --hoje ele já é vetado à circulação de carros aos domingos e feriados. E, em quatro anos, seria totalmente desativado.

Um dos vereadores responsáveis pelo projeto, Nabil Bonduki (PT), porém, acha esse prazo "irrealístico".

Para o vereador José Police Neto (PSD), autor do mesmo projeto, a implantação da linha 6-laranja do Metrô (Brasilândia-São Joaquim) oferecerá uma alternativa para quem usa hoje o Minhocão.

Como sua conclusão está prevista para até 2020, seria possível desativar o elevado em até seis anos, afirma.

PARQUE

Mas há outra discussão além do prazo: demolir a gigante estrutura de concreto ou transformá-la em parque?

Para Bonduki, seria possível até uma solução mista: demolir o trecho que passa sobre a av. São João e manter o que cobre a avenida Amaral Gurgel, ambas no centro.

A urbanista Regina Meyer, da FAU-USP, é a favor da demolição, mas considerando que a população já usa ativamente o elevado para lazer e esportes à noite e aos finais de semana, quando ele é vetado aos carros.

"A demolição precisa de um projeto, ela não é um gesto banal. Será preciso dar em troca algum espaço público para a população que se apropriou dele", afirma Regina.

Para Renato Cymbalista, também da FAU-USP, é preciso levar em conta o custo ambiental da demolição. "Esse é um elemento a favor de transformá-lo em parque."

A transformação do elevado Costa e Silva em área de lazer é, no entanto, o sonho de integrantes da associação Parque Minhocão.

"Nós participamos de todas as audiências, todas a oficinas do Plano Diretor, o que mostra a importância das mobilizações para influenciar o desenho da cidade", diz Wilson Levi, ligado à entidade.

Folha de S. Paulo