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Criação de vagas tem pior julho desde 1999
22/08/2014

 

Indústria tem saldo negativo pelo quarto mês; empregos gerados ficam em 11,8 mil, e ministro vê "fundo do poço"

 

Governo teme piora do mercado de trabalho à beira de eleição e prevê agosto melhor; crédito deve elevar contratação

SOFIA FERNANDES
VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA

O Brasil registrou o menor saldo de criação de vagas de trabalho com carteira assinada para meses de julho desde 1999, sob efeito da retração da economia e com a indústria demitindo mais do que contratando pelo quarto mês consecutivo.

O total de empregos formais gerados no mês passado foi de 11,8 mil, 71,5% inferior ao de julho de 2013. Em julho de 1999, foram criadas 8.100 vagas. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Ao divulgar o dado nesta quinta-feira (21), o ministro do Trabalho, Manoel Dias, disse que o país chegou ao "fundo do poço" e previu que, a partir de agosto, é esperada uma retomada do ritmo de criação de empregos.

Os números preocupam o Planalto, sobretudo pela proximidade da eleição, na qual a geração de empregos é uma das principais bandeiras da presidente Dilma Rousseff.

Esse foi, por sinal, um dos motivos para o anúncio das medidas de liberação de crédito nesta semana. O governo espera que elas levem o setor privado, em especial as indústrias automotiva e da construção civil, a suspender ou reduzir demissões diante da perspectiva de melhora das vendas nesses setores.

A equipe de campanha dilmista considera que não haverá piora significativa no mercado de trabalho até as eleições, o que é visto como essencial para sua reeleição.

Segundo um assessor, o governo aponta como fundamental segurar o mercado de trabalho, já que na próxima semana, com a divulgação do PIB, deve receber a notícia negativa de que a economia esfriou muito no primeiro semestre, com risco de um cenário de recessão.

EXPECTATIVA

Para amenizar a avaliação negativa dos dados, o ministro do Trabalho insistiu que o Brasil continua criando vagas, ao contrário de muitos países, que têm demitido.

"Em maio e junho, a desaceleração da indústria levou à redução das contratações e ao aumento das demissões. Esperamos que, a partir de agosto, esse resultado venha positivo", afirmou Dias.

O segmento que mais preocupa o governo é a indústria de transformação, em que se incluem a indústria automotiva, metalúrgica e têxtil. Em julho, foram cortados 15,4 mil postos no setor. A indústria de material de transporte reduziu 4.300 vagas.

A indústria metalúrgica teve um saldo negativo de 3.400 vagas, e a de materiais elétricos e comunicação, 2.500.

Outros setores que pesaram para o fraco desempenho foram o de ensino (-3.219 vagas) e o de serviços de alojamento e alimentação (-1.231 postos), queda atribuída ao fim da Copa do Mundo.

Os setores de serviço e agricultura foram os que mais contribuíram para o saldo de contratações do mês, com a criação de 11,9 mil e 10 mil vagas, respectivamente.

Dias prevê que sejam criadas até 10 mil vagas em frigoríficos em Santa Catarina para atender à demanda da Rússia, que tem boicotado a carne de países europeus e dos EUA em resposta a sanções dessas nações a Moscou.

Folha de S. Paulo