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Hidrovia depende de chuvas, diz ministro
22/08/2014

 

Paulo Passos (Transportes) afirma esperar que a Tietê-Paraná possa ser liberada em outubro para navegação

 

Hidrovia está parada desde junho; SP diz que vai à Justiça contra ONS para remanejar água e retomar capacidade

DIMMI AMORA
DE BRASÍLIA

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, disse nesta quinta-feira (21) esperar que as chuvas de outubro possam ser suficientes para liberar a hidrovia Tietê-Paraná, em São Paulo.

A operação de parte da hidrovia -a segunda mais movimentada do país no ano passado- está paralisada desde junho por falta de água nos rios da região.

A interrupção vem causando problemas para produtores de milho e soja, pois a hidrovia é usada para escoar parte da produção da região Centro-Oeste até o porto de Santos (SP).

De janeiro a julho de 2013, foi embarcado 1,4 milhão de toneladas de grão pela Tietê-Paraná. Neste ano, no mesmo período, foram escoadas cerca de 500 mil toneladas.

De todos os produtos transportados por hidrovias no país no ano passado, 22% foram pela Tietê-Paraná.

O ministro afirmou que as autoridades de São Paulo e da ANA (Agência Nacional de Águas) estão trabalhando para conseguir aumentar a vazão do rio e tentar restabelecer o transporte de barcaças, usado para carregar produtos agrícolas.

"Gostaríamos de ver essa situação restabelecida, mas isso vai depender das chuvas na região", disse.

De acordo com ele, por enquanto, a alternativa será usar caminhões e trens para o transporte que era levado pela hidrovia.

"Há uma expectativa de que a partir de outubro já comecem a voltar as chuvas."

Em junho, o governo paulista solicitou ao ONS -órgão que administra o setor elétrico brasileiro- e à ANA o remanejamento de parte do volume de água que está sendo represado em hidrelétricas ao norte do Estado, mas teve o pedido negado.

O ONS argumentou que a medida "não é cabível", pois contraria a "estratégia de operação definida para a garantia do atendimento energético" do país.

Agora, o governo de São Paulo afirma que vai entrar na Justiça contra o ONS, para restabelecer o nível de água da hidrovia a fim de retomar o transporte.

O Departamento Hidroviário paulista diz que o remanejamento proposto possibilitaria a retomada de um terço da capacidade da hidrovia.

POLÊMICAS

O imbróglio sobre a Tietê-Paraná não é o único a envolver o governo paulista sobre volume de águas.

Na segunda (18), os governos de São Paulo e do Rio fecharam acordo para encerrar a disputa em torno do abastecimento de água e da geração de energia na bacia do rio Paraíba do Sul.

São Paulo havia restringido fornecimento de água para o rio, sob o argumento de que o abastecimento humano é prioritário.

O ONS, por sua vez, dizia que a restrição geraria colapso do abastecimento de água de diversas cidades, em especial na capital fluminense, além de prejudicar o funcionamento de três hidrelétricas.

TRILHOS

Palestrante no 6º Brasil nos Trilhos, evento promovido pela ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários), em Brasília, Passos afirmou que ainda não há uma data para o primeiro leilão de ferrovias do programa de concessões, o trecho entre Campinorte (GO) e Lucas do Rio Verde (MT).

Esse é o único dos 12 leilões prometidos que tem autorização para ser realizado, mas o governo ainda não lançou o edital por falta de interesse de empresas na construção e na operação do trecho.

Folha de S. Paulo