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Justiça propõe que USP pague abono de 28,6% a grevistas
05/09/2014

 

Medida se juntaria ao reajuste salarial de 5,2% apresentado pela reitoria

 

Supremo negou recurso e determinou que ponto cortado seja reposto; universidade afirma que já cumpriu ordem

DE SÃO PAULO
DE BRASÍLIA

O TRT (Tribunal Regional do Trabalho) propôs, em audiência nesta quinta (4), que a USP pague um abono de 28,6% sobre os salários de maio, data-base dos funcionários, além do reajuste de 5,2% sugerido pela universidade. A reunião acabou sem acordo.

Em greve há mais de 100 dias, professores e servidores pedem aumento de 9,78%, mas, na reunião, se mostraram dispostos a aceitar 7,34%, índice que havia sido indicado pelo Ministério Público do Trabalho e permitiria que conseguissem ganho real.

O reajuste de 5,2% corresponde ao índice da Fipe da inflação acumulada e ocorrerá em duas partes: 2,57% sobre o salário de setembro, pagos em outubro, e 2,57% sobre o de dezembro, pagos em janeiro; com isso, o décimo terceiro terá reajuste total.

A USP informou que o abono, que deverá ser pago dez dias após um eventual acordo para o fim da paralisação, será analisado na próxima reunião do Cruesp (conselho de reitores de USP, Unicamp e Unesp), na terça (9).

Já os funcionários discutirão em assembleia na segunda (8) tanto o abono quanto o índice de reajuste.

PONTOS CORTADOS

O TRT determinou ainda que a USP pague aos grevistas vale-alimentação e auxílio-transporte de julho e agosto. A universidade argumentava que eles não teriam direito a esses benefícios, já que estavam parados no período.

O Supremo Tribunal Federal determinou que a universidade reponha os pontos cortados dos servidores em greve. A ordem, do ministro Celso de Mello, foi dada em recurso no qual a USP tentava derrubar uma decisão do TRT para que pagasse os salários.

De acordo com Mello, o Supremo já garantiu, em outras ações, o direito de greve de servidores públicos.

Na reunião com o TRT, a USP informou que já cumpriu a decisão liminar.

Uma nova audiência no TRT entre universidade e grevistas foi marcada para a próxima quarta-feira (10).

Folha de S. Paulo