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Energia afeta competitividade de indústrias
12/09/2014

 

DE SÃO PAULO

Com o custo da energia acima de R$ 500 por megawatt-hora, industriais sofrem com a perda de competitividade e preveem mais retração da produção em 2015.

Relatos ouvidos pela Folha mostram que empresas com subsidiárias em outros países já começam a substituir a produção nacional por importados devido ao custo da energia elétrica.

Dois casos estão sendo utilizados pela Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace) para cobrar do governo federal uma rápida resolução para a crise do custo da energia.

Cerca de 30% de todo o volume de energia contratado por consumidores registrados no mercado livre --segmento utilizado principalmente por indústrias, grandes varejistas e hotéis-- precisará ser renovado para o próximo ano.

Mariana Amim, advogada da Anace, afirma que as empresas não conseguem fechar novos contratos porque o mercado está enxuto.

"Não sabemos exatamente se não há energia disponível por causa das poucas chuvas ou devido a uma especulação em torno dos preços no mercado de curto prazo."

Atualmente, o custo do megawatt-hora nesse segmento está em R$ 703,31. Desde fevereiro, esse valor está próximo do teto permitido em lei, de R$ 822,83 por MWh.

Luis Paiva, presidente da Corporate Consulting, empresa especializada em recuperações judiciais, afirma que o aumento do custo de energia tem assustado as companhias e começa a ser um fator de possíveis falências.

Paiva está trabalhando em casos emblemáticos da crise de energia na indústria, como a da tecelagem Teka e da metalúrgica Monte Castelo.

"É um momento de queda das vendas com um aumento drástico de custos e sem o respaldo do crédito bancário para equilibrar o caixa. A quantidade de empresas em crise é altíssima", afirma.

Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), entre janeiro e agosto deste ano, já foram desligadas da associação 16 companhias. Com isso, elas perdem a licença para operar no mercado livre de energia.

Por outro lado, a CCEE afirma que a quantidade de companhias que foram desligadas neste ano representa 0,6% do mercado livre.

Durante todo o ano passado, foram desligadas 19 companhias. (MC)

Folha de S. Paulo