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Base de Haddad na Câmara critica ciclovias
16/09/2014

 

Pressionados por comerciantes, vereadores questionam criação de vias de bicicletas

 

ANDRÉ MONTEIRO
ARTUR RODRIGUES
DE SÃO PAULO

A implantação de ciclovias pela gestão de Fernando Haddad (PT) vem gerando críticas na base aliada do prefeito e até dentro do PT.

Os vereadores estão sendo pressionados por comerciantes, que questionam a perda de vagas de estacionamento, a falta de aviso prévio e a dificuldade de acesso de clientes a seus estabelecimentos.

O vereador Antonio Donato (PT), ex-secretário de governo de Haddad, usou o plenário da Câmara para cobrar mais qualidade nos projetos.

Na última quinta (11), ele afirmou que a criação de ciclovias deve ser debatida "não só com ciclistas, mas com moradores, comerciantes e todos os envolvidos, porque a rua não é só do ciclista".

"Se não pactuarmos, essa política será de fôlego curto. Faremos centenas de quilômetros e provavelmente desfaremos centenas de quilômetros", declarou.

Donato, que tem base em bairros da zona sul como o Capão Redondo, ainda fez um apelo ao secretário Jilmar Tatto (Transportes) para que "pudesse deixar de lado metas numéricas e avançar nas metas qualitativas".

O assunto dominou o plenário na quinta, assim como a sessão da Comissão de Política Urbana no dia anterior.

Na ocasião, Police Neto (PSD), ele próprio adepto da bicicleta, defendeu mais planejamento. "[Ciclovia] é ótimo, se tivesse um bom planejamento, que dialogasse com as [unidades] distritais da Associação Comercial."

Ele sugeriu que vagas extintas sejam compensadas em ruas próximas e que a prefeitura implante paraciclos, estruturas para prender bikes, em frente às lojas.

Outra proposta questionada pelos vereadores da base é a da ciclovia no canteiro da av. Paulista. "No meu entender, existem problemas de segurança, uma série de questões para saber se a melhor opção é essa", declarou Nabil Bonduki (PT) na reunião.

Alfredinho, líder do PT, defendeu a gestão. "O problema das ciclofaixas nas áreas comerciais deve ser mais discutido com os interessados, mas eu lembro que a via é pública, ou seja, os comerciantes não podem achar que aquele espaço é deles."

Tatto afirma que o plano de Haddad foi apresentado publicamente no Conselho Municipal de Transporte e Trânsito e que está aberto ao diálogo para eventuais ajustes.

Folha de S. Paulo