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USP aprova abono salarial de 28,6%, mas greve continua
17/09/2014

 

Medida gerará custo extra de R$ 85,8 milhões; deficit da universidade no final do ano deverá ser de R$ 1 bi

 

Funcionários dizem que paralisação prossegue enquanto reitoria exigir reposição de horas; docentes decidem na 5ª

THAIS BILENKY
DE SÃO PAULO

O Conselho Universitário da USP aprovou nesta terça-feira (16) abono salarial de 28,6% para docentes e servidores, mas a greve, que chega ao 114º dia, foi mantida.

O Sintusp (sindicato dos funcionários) comemorou a decisão, mas afirmou que não voltará ao trabalho enquanto a reitoria exigir reposição das horas paradas.

O sindicato quer que o trabalho acumulado durante a greve seja reposto dentro da jornada normal de trabalho, em organização autônoma de cada unidade.

A Adusp (associação de docentes) definirá se mantém a greve na quinta-feira (18).

O reitor, Marco Antonio Zago, nomeou uma comissão para negociar a questão das horas extras com os funcionários em greve. As duas partes se reunirão nesta quarta-feira (17) de manhã.

Na ocasião, também será debatido o pleito de reajuste de benefícios como auxílio-alimentação. À tarde, a Justiça do Trabalho fará nova audiência de reconciliação.

De acordo com o reitor, o abono representará, ao final do ano, um custo extra de R$ 85,8 milhões à universidade. O reajuste salarial de 5,2% representará R$ 38,7 milhões.

Somadas, as medidas representarão uma despesa adicional de R$ 124,5 milhões. Com isso, a USP não conseguirá reduzir o comprometimento do orçamento com a folha de pagamento --atualmente em 105%.

O percentual depende da arrecadação de ICMS pelo Estado de São Paulo. O imposto é a principal fonte de recursos da universidade.

A receita mensal da USP é de cerca de R$ 360 milhões. Os gastos chegam a R$ 450 milhões --R$ 375 milhões apenas com recursos humanos. O deficit ao final do ano será de R$ 1 bilhão, a ser bancado pela reserva da USP.

VOTOS

A reunião no Conselho Universitário teve 64 votos favoráveis à concessão do abono, 2 abstenções e 33 votos contrários. A Comissão de Orçamento e Patrimônio votou contra. Zago não revelou seu voto, mas considerou "um modelo acabado de democracia" submeter a decisão, relativa à política salarial, ao conselho, conforme determina o regimento da USP.

Sobre eventuais transferências ao governo do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, já aprovada, e do Hospital Universitário, ambas recusadas pelo governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição pelo PSDB, o reitor citou soneto do poeta português Luís Vaz de Camões (1524-1580), em referência indireta à eleição: "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser".

Folha de S. Paulo