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Rio Pinheiros tem escultura contra poluição; Tietê recebe ônibus anfíbio
18/09/2014

 

Instalação 'Trampolim' é parte de mostra; outras pontes também receberão obras

 

DE SÃO PAULO

Os dois principais rios da cidade de São Paulo receberam visitas pouco comuns nesta quarta-feira (17).

No rio Pinheiros, a escultura de um homem vestindo apenas as roupas de baixo surgiu sobre um trampolim azul, pendurado na ponte Cidade Universitária, na zona oeste.

Os visitantes do rio Tietê chegaram mais perto da água: num ônibus anfíbio, puderam navegar do Cebolão até a zona norte.

O contemplativo observador que paira sobre as águas do Pinheiros é a primeira obra da mostra "Às Margens do Rio Pinheiros", do artista plástico Eduardo Srur, a ser exposta.

"A ideia surgiu ao olhar pela janela do meu ateliê e ver um erro urbanístico numa das regiões mais ricas de São Paulo", conta Srur, em referência à poluição das águas.

Em parceria com a ONG Associação Águas Claras do Rio Pinheiros, responsável pela limpeza do rio, ele criou a mostra. A primeira obra é chamada "Trampolim".

Outras versões dela poderão ser vistas em breve, nas pontes Morumbi, Cidade Jardim e Eusébio Matoso. Em cada uma delas haverá um personagem diferente.

"São interpretações tristes sobre o estado do Pinheiros", define o artista. "Mas não são suicidas. Se você chegar perto deles, vai ver que estão em estado contemplativo."

Srur fará outras duas instalações. "Portal" será composta por arcos imensos, nos córregos Uberaba e Jaguaré.

Já "Hora da Onça Beber Água" trará um casal de onças infláveis gigantes nas margens do rio.

"O cheiro do rio anestesia nossa consciência", afirma. "Não se pensa na situação das águas."

NAVEGANDO

O aroma e a qualidade da água não eram a prioridade do passeio pelo rio Tietê. Ali, a proposta era chamar atenção para a possibilidade do uso dos rios para navegação e transporte de massa.

Parte da divulgação da feira São Paulo Boat Show, o ônibus da iniciativa "Por uma Cidade Navegável" fez três viagens com 27 passageiros.

No trajeto, feito a 6 km/h, era possível ver sofás, garrafas pet e restos de lixo espalhados pelas margens.

"Lembro desse rio nos anos 1960. Remei aqui até os anos 80 e agora ele está esquecido", disse o aposentado Vicente de Souza, 71.

Alexandre Delijaicov, 52, professor e coordenador do grupo Metrópole Fluvial da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, também participou do passeio.

Na opinião dele, os problemas de transporte de São Paulo são causados por um "urbanismo mercantilista e rodoviarista".

Para Delijaicov, a cidade poderia ser beneficiada pelo hidroanel, projeto do Estado com 170 km de extensão, que incluiria os rios Tietê e Pinheiros e a represa Billings (zona sul e ABC). Hoje, o Tietê tem 41 km navegáveis, entre a Penha e Santana do Parnaíba.

A feira acontece de 25 a 30 de setembro no Transamerica Expo Center.

(AURÉLIO ARAÚJO E CÉSAR ROSATI)

Folha de S. Paulo