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Mensalidade escolar terá reajuste de até 12% em SP
19/09/2014

 

No Estado, aumento nas escolas privadas tem superado inflação desde 2010

 

Para sindicato, alta de preços e eleições justificam medida; necessidade deve ser comprovada, diz Idec

GABRIELA YAMADA
DE RIBEIRÃO PRETO

As mensalidades das escolas particulares do Estado terão alta de até 12% em 2015, índice acima da inflação prevista pelo governo federal para o ano que vem --de 4,5%.

A afirmação é do Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo). Em todo o Estado, desde 2010 o aumento das mensalidades da rede privada supera a inflação.

A orientação do sindicato, que vem sendo seguida nos últimos anos pelas escolas, é que o reajuste seja de 9% a 12%.

Segundo Benjamin Ribeiro da Silva, presidente da entidade, o cenário incerto das eleições deste ano, aliado a fatores econômicos --como recomposição de impostos e fim do subsídio às tarifas de energia-- justificam o reajuste.

Também pesam as previsões de inflação alta --o sindicato acredita que será de quase 7% -- e de reajuste real de 2,5% para os professores.

Com o temor de alta na taxa de inadimplência, o sindicato, que tem feito reuniões no interior desde a segunda-feira (15), está orientando as escolas para que freiem novos investimentos, como grandes obras ou reformas.

Em julho, o índice de inadimplência foi de 7,31% no Estado. É inferior aos 8,05% do mesmo mês de 2013, mas supera os 6,20% de janeiro.

O Procon e o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) afirmam que as escolas devem apresentar uma planilha aos pais que comprove a necessidade do reajuste acima da inflação. "Sem comprovação, o reajuste é ilegal", diz Cláudia Pontes Almeida, advogada do Idec.

Para Alexandre Nicolella, professor da faculdade de economia da USP em Ribeirão Preto, o cenário econômico para 2015 não é positivo e é possível que haja aumento de devedores. "O problema é que os salários crescem menos [que a mensalidade]."

Para tentar evitar que a inadimplência suba, o sindicato está orientando escolas a barrarem matrículas de alunos cujos pais ou responsáveis financeiros estejam com o nome "sujo". A recomendação já foi feita em anos anteriores, mas está sendo reforçada.

Em Ribeirão Preto, por exemplo, há dois anos escolas estão pedindo a declaração de quitação escolar de novos alunos no ato da matrícula, segundo Márcia de Pádua, diretora de escola. O documento comprova que não há débitos com o colégio anterior.

A escola de Márcia reajustará a mensalidade em 12%. Já a Waldorf João Guimarães Rosa, também em Ribeirão, deve adotar 9%, diz o tesoureiro Adilson Defendi. A Folha procurou escolas na capital paulista, mas elas não quiseram se manifestar.

Com o impacto do reajuste, pais já se preparam para adotar medidas como corte de gastos supérfluos. "A gente tem que priorizar os pagamentos e deixar de lado outros gastos, como passeios", diz o ourives Daniel Franc, 39.

Já o vendedor de veículos André Barrufini Neto, 42, pretende negociar com a direção da escola das filhas o pagamento à vista do ano letivo, visando um desconto.

Folha de S. Paulo