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Mais de 80% dos estabelecimentos de SP não têm alvará, aponta CPI
8/10/2014

 

Apuração da Câmara indica falta de segurança e sinais de corrupção

 

ARTUR RODRIGUES
DE SÃO PAULO

Mais de 80% dos grandes estabelecimentos da capital paulista não possuem licença para funcionar. Essa é a conclusão da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Alvarás na Câmara Municipal.

O foco da apuração dos vereadores foram os chamados locais de reunião, estabelecimentos com capacidade de reunir mais de 250 pessoas.

A investigação encontrou falta de segurança e indícios de corrupção e ineficácia na fiscalização das licenças de casas noturnas, bares, restaurantes e casas de show.

A cidade tem cerca de 250 locais com autorização para abrigar mais de 250 pessoas, segundo o site da prefeitura.

O levantamento do percentual de locais sem licença foi feito com base em uma amostra de cerca de 900 empreendimentos suspeitos fiscalizados por meio de ofício e informações dos supervisores de licenciamento.

O relator da CPI, vereador Ricardo Nunes (PMDB), diz que a falta de regularização vai de pequenos negócios aos grandes empreendimentos.

O vereador Adilson Amadeu (PTB) afirmou ter ido a mais de 50 estabelecimentos, sem encontrar locais com os documentos necessários. "Locais com registro de lanchonetes são casas de swing."

FACILIDADES

O relatório afirma também que empresas indicadas pelos próprios fiscais oferecem facilidades na retirada de alvarás.

Os vereadores fazem críticas à empresa municipal que faz o processamento de dados, a Prodam. Para eles, a empresa não consegue conectar os sistemas de fiscalização e licenças.

Os vereadores cobram uma auditoria independente na Prodam e propõem uma parceria com bombeiros para emissão de alvarás, por meio da operação delegada.

O secretário municipal de Governo, Chico Macena (PT), afirma que a maioria dos problemas constatados já estavam sendo encaminhados.

"Estamos integrando os processos e banco de dados. A ideia é ter um 'superpoupatempo' para integrar todos os órgãos para tirar desde a abertura de empresa a licença de funcionamento", disse.

Folha de S. Paulo