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Haddad quer proibir grandes shoppings e condomínios em SP
10/10/2014

 

Prefeitura inicia discussão da lei que vai definir as regras de construção em cada região da cidade

 

Proposta da nova Lei de Zoneamento quer evitar que grandes lotes sejam 'ilhas' sem interação com a cidade

VANESSA CORREA
DE SÃO PAULO

Gigantes urbanos como grandes shoppings e condomínios residenciais fechados entraram na mira da Prefeitura de São Paulo, que quer proibir empreendimentos maiores de 10 mil m².

Lugares como os shoppings West Plaza e Pátio Higienópolis, o Templo de Salomão da Igreja Universal e condomínios-clubes como o Central Park Mooca, com seus 30 mil m², não serão mais permitidos se a proposta da prefeitura for adiante.

A ideia é impedir a construção de grandes empreendimentos fechados, que interrompem a cidade, atrapalham a vida do pedestre e criam zonas inseguras, com muros altos.

Para urbanistas, sem essas barreiras, os bairros ficam mais diversos e interessantes para as pessoas, o que ajuda a promover a circulação a pé e a melhorar a mobilidade.

Essas e outras propostas fazem parte do projeto da gestão Fernando Haddad (PT) para atualizar a chamada Lei de Zoneamento.

Essa legislação cria zonas na cidade com regras específicas para o que se pode construir em cada lote (comércio, residência, indústria) e como devem ser os imóveis (área construída, altura).

Na prática, faz o detalhamento da aplicação das propostas do novo Plano Diretor, que foi aprovado em junho.

Para valer, as propostas precisam ser aprovadas pela Câmara Municipal. Mas, antes de serem enviadas aos vereadores, elas serão debatidas em oficinas públicas a partir do próximo sábado (11) até 6 de dezembro.

O projeto deve ser enviado ao Legislativo em janeiro.

ILHAS URBANAS

"Grandes lotes fechados são como ilhas na cidade. Não têm interação, geram insegurança e monotonia. Em 10 mil m² se consegue fazer um enorme empreendimento", diz Daniel Montandon, que comanda na prefeitura o processo de revisão da lei.

Em regiões periféricas da cidade, onde a prioridade é produzir empregos, o limite pode ser ampliado caso essa demanda surja nas oficinas. Mas não deve superar muito os 10 mil m², explica Montandon.

Os grandes lotes, além de terem seu tamanho máximo limitado, deverão ser mais "permeáveis" aos pedestres.

Galerias que ligam uma rua a outra, áreas públicas abertas no térreo, alargamento de calçadas e restrição a muros também aparecem na proposta da prefeitura para esses empreendimentos.

"É razoável imaginar que quem vai construir algo de grande porte ofereça um bom projeto, com boa inserção na cidade", diz Montandon.

Folha de S. Paulo