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Importação de alumínio supera exportação
23/10/2014

 

Alto preço da energia faz produção cair a níveis de 1990, segundo associação do setor

 

JÚLIA BORBA
DE BRASÍLIA

"De 2001 a 2013 o custo médio do megawatt-hora passou de R$ 39 para R$ 132. É um crescimento de 238% no período. Então uma hora essa conta não fecha mais Milton Rego presidente da Associação Brasileira do Alumínio

A produção de alumínio no Brasil este ano deve voltar ao mesmo patamar de 1990 e, pela primeira vez desde 1982, a importação do produto vai superar as exportações, segundo projeções do setor.

A situação é reflexo da crise do setor elétrico, que afeta diretamente os fabricantes de alumínio, grandes consumidores de eletricidade.

De acordo com a Abal (Associação Brasileira do Alumínio), somente em setembro, a produção caiu 34,9% em relação ao mesmo período do ano passado, somando 68,6 mil toneladas. No ano, a produção chega a 750,9 mil toneladas, baixa de 24,4%.

O setor estima que, no ano, as importações de alumínio do país vão superar as exportações em 179 mil toneladas.

Segundo a Abal, o país sempre importou alguns tipos de ligas de alumínio. Mas agora, por causa da perda de competitividade, os produtores locais estão perdendo terreno para estrangeiros no fornecimento de alumínio primário e outros produtos, como perfil de janela.

O aumento da conta de luz e as constantes mudanças nas regras do setor elétrico são alguns dos fatores apontados pelos fabricantes de alumínio para justificar o mau desempenho.

Em agosto, diante da baixa produção, a Câmara de Comércio Exterior zerou a alíquota de importação do produto (que era de 6%).

Para o presidente da Abal, Milton Rego, as soluções dadas ao setor elétrico, até o momento, não são suficientes para diminuir as dificuldades da indústria.

Na semana passada, por exemplo, anunciou-se a paralisação da multinacional Novelis. A planta funcionava em Ouro Preto (MG), estava aberta desde 1934 e só deverá operar até o fim deste ano.

A decisão foi atribuída ao alto custo das operações no país, que limita a competitividade dos produtos.

"De 2001 a 2013 o custo médio do megawatt-hora passou de R$ 39 para R$ 132. É um crescimento de 238% no período. Então uma hora essa conta não fecha mais", disse o presidente da Abal.

Ainda de acordo com associação, o custo da energia na produção de alumínio primário em 2009 representava 49% do total do produto. Ano passado, era 55%. Neste ano, as estimativas apontam para nova alta, chegando aos 60%.

Como o desenvolvimento do setor depende do preço da energia, os cenários traçados pela indústria, a longo prazo, não são otimistas.

A projeção é de que, em 2025, o Brasil produzirá 600 mil toneladas, usará outras 600 mil toneladas de alumínio reciclado e terá de importar o dobro desse volume.

Folha de S. Paulo