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'Prima' da dengue se alastra em 2 meses
30/10/2014

 

Casos confirmados de febre chikungunya já passam de 800; cidades do Amapá e da Bahia registram epidemia

 

Há um mês, ocorrências não chegavam a 80; vírus é transmitido por mosquitos da dengue e sintomas são parecidos

CLÁUDIA COLLUCCI
ENVIADA ESPECIAL A FEIRA DE SANTANA (BA)

Menos de dois meses após a confirmação dos primeiros casos autóctones (de transmissão local) da febre chikungunya, a "prima" da dengue está se espalhando rapidamente pelo país, com epidemias na Bahia e no Amapá e casos em outros 11 Estados e no Distrito Federal.

Segundo o Ministério da Saúde, 828 pessoas foram infectadas até 25 de outubro. Dados mais atuais dos municípios, porém, apontam que os casos passam de mil --há um mês, não chegavam a 80.

O vírus chikungunya é transmitido pelos mesmos mosquitos da dengue (Aedes aegypti e Aedes albopictus). Os sintomas da doença também são parecidos, como febre, mal-estar e dores e manchas vermelhas, mas o chikungunya pode causar dores mais fortes (e de maior duração) nas articulações.

No Amapá, 330 casos foram confirmados só em Oiapoque, onde surgiram as primeiras transmissões no território brasileiro, em setembro. A Bahia concentra 458 confirmações. Feira de Santana é o epicentro, com 371.

O secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Jarbas Barbosa, prevê um verão "preocupante", com casos de dengue e chikungunya ao mesmo tempo.

"É como se tivéssemos um novo sorotipo de dengue circulando. Toda população está suscetível", diz Barbosa.

O período de maior transmissão é entre janeiro e maio, mas cidades como Feira de Santana já observam a circulação dos dois vírus.

"Nesta semana, além do chikungunya, temos registrado casos de dengue", diz Maricelia de Lima, técnica da Vigilância Epidemiológica de Feira de Santana. O município investiga 1.161 suspeitas de chikungunya, 39% delas em um único bairro.

Segundo o infectologista Artur Timerman, do Hospital Edmundo Vasconcellos, outro agravante é a previsão de mais casos de dengue subtipo 4, que tendem a ser mais graves em quem já foi infectado pelos outros três tipos.

"Ele começou a circular há dois anos e ainda tem potencial para infectar de 75% a 80% das pessoas", diz.

Neste ano, todas as campanhas e ações preventivas do Ministério da Saúde contra a dengue vão incluir também a febre chikungunya.

"O nome é diferente, mas a maneira de prevenir é a mesma: eliminar os criadouros do mosquito, não deixar água parada", diz Barbosa.

Até o ano passado, a febre chikungunya estava concentrada em algumas regiões da África e da Ásia. Em dezembro, o vírus começou a circular no Caribe e depois se espalhou pelo resto das Américas. São quase 800 mil casos, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde.

A letalidade é baixa (1 morte para 1.000 casos), mas pode se agravar em idosos e pessoas com doenças crônicas.

Folha de S. Paulo