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Governo usará novo método para medir pobreza e miséria
19/11/2014

 

Acessos a educação, a bens e a saneamento passarão a ser levados em conta no cálculo

 

JOÃO CARLOS MAGALHÃES
DE BRASÍLIA

O governo deve estabelecer nos próximos meses uma nova maneira de medir o nível de pobreza no país. Em vez de levar em conta apenas a renda, como ocorre hoje, esse futuro mecanismo empregaria diversas variáveis, como acesso à educação, bens e saneamento básico.

O novo método deve ter impactos para o desenvolvimento e acompanhamento de políticas públicas. A informação foi dada na terça (18) pela ministra Tereza Campello (Desenvolvimento Social), após evento em Brasília no qual falaram especialistas estrangeiros em medição de pobreza.

"A ideia foi trazer gente para ouvir, a gente trouxe os maiores especialistas no assunto. Estamos escutando, estamos conversando, fazendo reuniões paralelas [com os pesquisadores]", disse a ministra Campello à Folha.

Atualmente programas sociais como o Bolsa Família, por exemplo, selecionam seus beneficiários por meio unicamente de linhas monetárias de miséria (R$ 77 mensais per capita) e pobreza (R$ 154 mensais per capita).

A criação de um novo mecanismo, no entanto, não implicaria necessariamente na mudança desse procedimento de escolha. Para Campello, a nova metodologia serviria mais para ajudar o governo a acompanhar e melhorar programas sociais do que medir pequenas alterações nos níveis de pobreza e miséria.

"A questão não é mensurar, é para trabalhar. Essa é a nossa principal preocupação. A questão é: o que a gente faz para continuar melhorando? É um indicador de trabalho que a gente quer", disse.

Durante o evento de terça, a ministra apresentou um dos possíveis desenhos dessa nova metodologia --cujos resultados foram revelados antes, por ela, em artigo na Folha.

O mecanismo é adaptado de modelo do Banco Mundial. Ele usa diversos elementos para definir quatro categorias de pobreza -- sendo "crônica" a mais grave delas.

A discussão sobre a criação de um novo mecanismo é anterior à divulgação de que, em 2013, a miséria parou de cair pela primeira desde 2003. Em geral, a ideia de adotar um novo método de medição é discutido há anos por setores do governo federal.

Folha de S. Paulo