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Em 9 anos, Aids cresce 32% entre jovens
02/12/2014

 

No quadro geral do Brasil, a taxa de detecção de novos casos por 100 mil habitantes ficou estável nesse período

 

Nos últimos 7 anos, o Estado de São Paulo registrou alta de 21,5% na incidência da doença no grupo de 15 a 24 anos

DE BRASÍLIA
DE SÃO PAULO

Enquanto a taxa de detecção de casos de Aids tem se mantido estável no Brasil, o número apurado entre a população jovem, entre 15 e 24 anos, tem sido crescente.

Em 2004, foram notificados 9,6 casos por 100 mil habitantes nesse grupo específico. No ano passado, essa proporção chegou a 12,7, o que corresponde a um aumento de 32,3% no período.

Nos números gerais, a taxa no país foi de 21 casos por 100 mil habitantes em 2004 para 20,4 casos em 2013.

O público jovem será justamente o foco da campanha lançada pelo Ministério da Saúde para prevenção e tratamento da doença. Haverá ainda material específico para a população jovem gay e para travestis.

"Volta a ser comum o comportamento de três, quatro parceiros diferentes numa mesma noite. Esse tipo de comportamento, que [o medo da] a Aids parecia ter acabado, está voltando", diz Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde da pasta.

O ministério analisa ainda os motivos para a alta incidência de casos e mortalidade em Estados como Rio Grande do Sul e Amazonas, com o objetivo de traçar estratégias específicas.

Se em 2013 a taxa média de mortalidade no país foi de 5,7 óbitos por 100 mil habitantes, no Rio Grande do Sul foram 11,2 casos para o mesmo universo. "Ainda não temos uma explicação", disse o ministro Arthur Chioro (Saúde).

Ao todo, 12.431 pessoas morreram no ano passado em decorrência da doença.

SÃO PAULO

Em São Paulo, o número de novos casos de Aids cresceu 21,5% entre jovens nos últimos sete anos, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. Em 2013, 722 novos casos foram registrados, ante 594 notificados em 2007.

Outra tendência assinalada pelos dados é que o aumento entre jovens tem sido puxado pela alta circulação de vírus HIV entre homens que fazem sexo com homens.

O jovem Diego Callisto, 25, hoje consultor da ONU, faz parte das estatísticas. Ele descobriu ser soropositivo aos 18 em uma relação estável.

"Tudo o que eu pensava era: o que eu vou fazer da minha vida se eu só tenho 18 anos e já estou com HIV?" Callisto afirma que pouco sabia sobre o vírus.

Hoje, referência para jovens, ele diz ter sido procurado na última semana por dois garotos na mesma situação e "sem conhecimento."

"Um tinha 19 anos, descobriu ser positivo e não estava tomando medicamento", relata o consultor.

"E um outro, de 21 anos, passou por situação de risco e desconhecia que o uso de antirretrovirais em até 48 horas após a exposição pode evitar o contágio."

(FLÁVIA FOREQUE E MONIQUE OLIVEIRA)

Folha de S. Paulo