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Órgão da USP veta bebida e restringe festa no campus
03/12/2014

 

Regulamento prevê a necessidade de autorização para eventos na capital

 

Proibição a venda e consumo de álcool já estava prevista em lei de 2009; medida ocorre após relatos de abuso

DE SÃO PAULO

O Conselho Gestor da USP aprovou nesta terça-feira (2) regulamento que restringe a realização de festas e proíbe a compra, venda, fornecimento e consumo de bebidas alcoólicas em qualquer evento na Cidade Universitária.

Segundo a norma, os eventos deverão ser autorizados pelo diretor da unidade onde serão realizados e pela Prefeitura do Campus.

Além disso, as reuniões devem ser "compatíveis com a vida universitária, em locais que comportem o público esperado, que não interfiram nas atividades" do local.

Na prática, o veto à venda de bebidas alcoólicas,, apenas reforça proibição que já é prevista por lei desde 2009.

A aprovação ocorre pouco mais de dois meses após a morte do estudante Victor Hugo Marques dos Santos, 20, achado na raia olímpica da USP ao sair de uma festa.

O alerta que o caso disparou foi reforçado no mês passado pelas denúncias de abusos cometidos nas festas de recepção dos calouros da Faculdade de Medicina.

A unidade já havia proibido, na semana passada, a venda de bebidas em festas até que seja pensado um modelo consciente de consumo.

De acordo com o novo regulamento, caberá aos organizadores das festas arcar com as responsabilidades administrativa, civil ou penal que possam resultar.

A medida será encaminhada para a análise jurídica da Procuradoria-Geral da USP. Caso seja aprovada pelo órgão, deve vigorar em 2015.

AUDIÊNCIA

Também nesta terça-feira, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa ouviu representantes do Caoc (Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, de medicina) sobre as denúncias de abuso na unidade.

Os alunos Murilo Germano Sales da Silva, presidente do centro, e Renato Pignatari, presidente eleito, negaram conhecer os excessos.

Durante a audiência foram exibidos vídeos --um deles mostra um estudante sendo preso e despido por colegas, que introduzem uma pasta de dente em seu ânus.

Para o deputado Adriano Diogo (PT), presidente da comissão na Assembleia, os estudantes foram evasivos. "Ficaram de blá-blá-blá", disse.

A reportagem tentou falar com os alunos do Caoc, mas eles disseram que vão se reunir antes de fazer qualquer outro pronunciamento.

Outra estudante ouvida, a mestranda da Faculdade de Direito Marina Ganzarolli, afirmou que sabe de outros casos de abuso sexual e estupro envolvendo outras instituições públicas do Brasil.

Segundo ela, um deles ocorreu há duas semanas na própria Faculdade de Direito da USP. "É uma cultura que vem de muitos anos", declarou Marina.

(EMILIO SANT'ANNA E MONIQUE OLIVEIRA)

Folha de S. Paulo