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Terrenos reservados para novos parques são invadidos em SP
09/12/2014

 

Pelo menos 16 áreas verdes na periferia da cidade foram ocupadas por grupos sem-teto, segundo dados da Câmara

 

Terrenos de interesse da prefeitura ficam 'congelados' por 5 anos, até a decisão de criar ou não um parque no local

ARTUR RODRIGUES
DE SÃO PAULO

Ao menos 16 áreas com previsão para virarem parques em São Paulo foram invadidas por sem-teto.

Essas áreas, segundo dados da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal, estão na periferia, região carente de espaços de lazer.

Algumas delas, segundo relatos de vizinhos, foram devastadas pelos invasores.

Para transformar um terreno privado em parque, a prefeitura primeiro publica um decreto no qual considera a área de utilidade pública.

A partir disso, a área fica "congelada" por cinco anos, prazo que a prefeitura tem para comprá-la ou desistir da criação desse novo parque.

Hoje há 154 áreas nessa situação --todas decretadas sob Gilberto Kassab (PSD). Quando o decreto vence, os donos dos terrenos podem fazer o que quiserem nos locais.

Das 16 invadidas, 14 estão "congeladas", e as duas restantes já foram compradas pela prefeitura e, na prática, são oficialmente parques.

Um dos invadidos é o terreno no Parque São Rafael, na zona leste. O único espaço de lazer do bairro, um CDM (Clube Desportivo Municipal), foi abandonado, e esse terreno ao redor acabou se transformando em favela.

"Antigamente todo mundo frequentava o clube. Agora, a gente ficou sem o espaço e ainda nossas casas desvalorizaram muito", diz o aposentado Antônio de Souza, 70.

A área fica no distrito de São Mateus, que está entre os menos favorecidos de áreas verdes públicas na cidade.

Tem 0,40 m² de área verde por habitante, segundo índice da prefeitura que contabiliza praças e parques --a média atual da cidade é 2,6 m².

Também na zona leste, uma área que serviria para a ampliação do Parque Municipal da Vila Sílvia foi completamente tomada por barracos há cerca de dois anos.

"Vi o projeto para o local, era bonito. Cheguei a plantar árvores no local que seria um bosque", afirma o professor Vanderlei da Rocha, 50.

Segundo ele, uma empreiteira derrubou todas as árvores. "Pensei que iriam fazer o parque, mas logo ocorreu a invasão", diz o professor.

Nenhum dos moradores quis falar com a reportagem.

Para a professora Marta Dora Grostein, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, com o avanço das ações dos sem-teto, a melhor forma de impedir invasões é utilizar as áreas. "Não há invasão a parques que estão sendo usados", afirma.

Presidente da Comissão do Meio Ambiente da Câmara, o vereador Gilberto Natalini (PV) afirma que a gestão Fernando Haddad (PT) é conivente com as invasões.

Folha de S. Paulo