Notícias

SP avalia usar volume morto do Alto Tietê
10/12/2014

 

Sabesp pediu autorização para captar reserva do sistema, que pode entrar em colapso em janeiro se não chover

 

Para especialista, obra garante abastecimento por mais 2 meses, mas pode levar o mesmo tempo para ficar pronta

CAROL PRADO
EDUARDO GERAQUE
FERNANDA PEREIRA NEVES
DE SÃO PAULO

Para evitar o colapso do sistema Alto Tietê até janeiro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) afirmou que o Estado avalia usar o volume morto do manancial.

De acordo com o tucano, a Sabesp encaminhou ao Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo) o pedido de autorização para o uso de mais água.

Como a Folha mostrou, o sistema, que abastece 4,5 milhões de moradores da região leste da Grande SP, depende de chuva intensa nas próximas semanas para não ficar sem água em um mês.

O nível de suas represas baixou e atingiu 4,6% nesta terça (9)--menos que os 7,7% do sistema Cantareira.

"Estamos monitorando o sistema Alto Tietê, onde há várias represas. Em uma delas, chamada Ponte Nova, nós temos uma reserva técnica de 40 bilhões de litros de água", afirmou Alckmin.

Esse volume adicional elevaria em cerca de 7 pontos percentuais o nível atual.

"É preciso fazer obras que devem durar por volta de dois meses", diz Roberto Kachel, professor da Universidade Mogi das Cruzes. Segundo ele, a nova reserva garante o abastecimento do Alto Tietê por mais dois meses.

Segundo a Sabesp, esse é o primeiro pedido do governo estadual para a utilização dessa reserva do Alto Tietê.

Em novembro, foram acrescidos 9 bilhões de litros ao sistema por meio do bombeamento das águas da represa de Biritiba-Mirim para a Jundiaí.

CHEQUE ESPECIAL

Quase todas as represas dos sistemas de abastecimento têm o chamado volume morto. Isso ocorre porque, normalmente, a captação não se dá no fundo dos reservatórios, mas muitos metros acima.

Já o volume morto --que fica, portanto, abaixo do ponto normal de captação-- precisa ser retirado por bombas.

Sua utilização, dizem especialistas, pode ser comparada ao uso do cheque especial.

A Sabesp já vem retirando, após autorização, a segunda cota do volume morto do Cantareira, principal abastecedor da Grande SP, com 6,5 milhões de consumidores.

Se a intensidade de chuvas não crescer muito até março, o Estado de São Paulo ainda terá em 2015 a possibilidade de recorrer à terceira, e última, parte dessa reserva.

Alckmin disse que a aplicação de multas a quem aumentar o consumo está em análise. "Nós temos 20% de chamados gastões, que aumentaram o consumo. Todo mundo precisa ajudar", afirmou.

Folha de S. Paulo