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Alckmin quer pacote com multas e sobretaxa para conter gasto de água
11/12/2014

 

Governador vai negociar com prefeitos de SP para que apliquem multas em flagrantes de desperdício

 

Ideia do tucano é dividir com prefeitos o ônus das consequências da maior seca já registrada no Estado de São Paulo

ARTUR RODRIGUES
DE SÃO PAULO
EDUARDO SCOLESE
EDITOR DE COTIDIANO

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) vai negociar com prefeitos paulistas para que a cobrança da sobretaxa aos "gastões" de água seja anunciada junto com um pacote de multas para casos de flagrantes de desperdício.

A implantação da sobretaxa, chamada de "plus" pelo tucano, depende de uma decisão do governo do Estado.

Já no caso das multas, para quem for pego lavando a calçada ou o carro, por exemplo, a adoção cabe às próprias cidades, via projeto da prefeitura aprovado na respectiva Câmara Municipal.

A estratégia de Alckmin de unificar esses anúncios é dividir o ônus político da escassez de água, no momento em que São Paulo vive a maior estiagem em 84 anos e os principais reservatórios estão próximos a um colapso.

O governo do Estado torce para uma chuva acima da média histórica neste verão (o que não está previsto pelos meteorologistas), para que medidas mais drásticas, como um racionamento, não sejam necessárias em 2015.

Em abril, Alckmin havia anunciado a implantação da sobretaxa para quem aumentasse a conta de água acima do consumo médio de 2013.

Depois, às vésperas da campanha eleitoral, na qual foi reeleito, voltou atrás e disse que a medida não era mais necessária. Agora, aguarda apenas um estudo da agência reguladora do Estado para anunciá-la oficialmente.

Sobre a articulação com os prefeitos para a adoção das multas, o tucano sabe que o sucesso depende da entrada da Prefeitura de São Paulo.

Questionado sobre o assunto em outras ocasiões, o prefeito Fernando Haddad (PT) já sinalizou positivamente sobre o tema. Em outubro, ele afirmou que, "se a Sabesp entender que nós devemos aplicar, vamos aplicar".

'GASTÕES' DE ÁGUA

Alckmin tem rotulado de "gastões" aqueles que ampliaram o consumo de água mesmo diante da grave crise de abastecimento --cerca de um quarto das residências atendidas pela Sabesp.

Ele e Haddad devem se reunir ainda neste mês. Assim como o aumento conjunto da tarifa do ônibus e do metrô, a questão das multas deve ser tratada entre os dois.

Desde o início da crise, diferentes cidades paulistas adotaram a prática da multa.

É o caso de Limeira, no interior do Estado, onde a população é incentivada a denunciar quem é flagrado desperdiçando água.

Na cidade, a primeira multa é de R$ 200 --até agora já foram aplicadas mais de 180.

Folha de S. Paulo