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Dívida da Santa Casa é de R$ 770 mi, quase o dobro da anunciada
11/12/2014

 

Cálculo dos débitos da entidade foi feito por auditoria independente; dirigentes divulgavam R$ 400 milhões

 

Instituição não quis se pronunciar sobre os números; estudo foi contratado pelo governo do Estado

ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO

Auditoria independente contratada pelo governo de São Paulo revela que a dívida da Santa Casa de São Paulo supera os R$ 770 milhões, quase o dobro do que os dirigentes da instituição anunciavam antes, de R$ 400 milhões.

O montante inclui todos os débitos do maior hospital filantrópico da América Latina --incluindo bancários, com folha de pagamento, fornecedores e obrigações previdenciárias.

Só os débitos com fornecedores superam R$ 100 milhões. Em julho, quando a direção da Santa Casa fechou as portas do pronto-socorro central por 28 horas, a superintendência da entidade afirmava que o hospital devia a fornecedores algo em torno de R$ 45 milhões.

Na ocasião, o provedor Kalil Rocha Abdalla, chefe da instituição, alegou que o fechamento se devia à crise financeira na entidade, agravada por falta de repasses do governo de São Paulo.

Mesmo rebatendo as acusações, a Secretaria de Estado da Saúde socorreu o hospital com R$ 3 milhões para a reabertura emergencial do pronto-socorro, mas condicionou novos repasses à realização de auditorias.

Em setembro, uma das auditorias já havia apontado que, na gestão Abdalla, os recursos da instituição foram praticamente esgotados. Entre 2009 e 2013, o patrimônio líquido da entidade caiu de R$ 220 milhões para R$ 323 mil (0,15% do valor inicial).

A auditoria também revelou que o hospital central havia recebido R$ 180 milhões em 2013 para atendimentos de média e alta complexidade, mas tinha prestado serviços que custaram R$ 139 milhões, 23% a menos.

Parte do resultado da nova auditoria, que traz uma radiografia da dívida, deve ser apresentado nesta quinta-feira (11) pelo secretário de Estado da Saúde, David Uip, em reunião com os irmãos e mesários da Santa Casa, espécie de conselho deliberativo da instituição.

Serão discutidos os rumos do hospital e quais medidas podem ser adotadas, já que a crise financeira ameaça pagamento de salários e existem indícios de má gestão.

Uip se reuniu nesta semana com o ministro da Saúde, Arthur Chioro, para tratar do assunto da Santa Casa. O teor dessa conversa também deverá ser discutido.

Procurada, a Superintendência da Santa Casa de São Paulo informou que não havia tomado conhecimento oficial desses números e, por isso, não poderia comentar.

Folha de S. Paulo