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Economista do Rio assumirá Fazenda no governo Alckmin
12/12/2014

 

Renato Villela foi secretário de Sérgio Cabral e trabalhou com Joaquim Levy

 

Missão será melhorar receita com economia enfraquecida e garantir recursos para obras que deem visibilidade

GUSTAVO URIBE
DE SÃO PAULO
PAULO GAMA
DO PAINEL

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciará nesta sexta (12) a escolha do economista carioca Renato Villela como seu novo secretário da Fazenda.

Villela foi secretário da Fazenda do Rio no segundo governo Sérgio Cabral (PMDB), de 2010 até julho deste ano. Ele antes foi secretário-adjunto do Tesouro Nacional, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

No governo do Rio, o economista trabalhou com o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, seu antecessor na Secretaria da Fazenda. Eles foram contemporâneos no governo FHC, quando Levy atuou na Secretaria de Política Econômica da Fazenda.

Especialista em finanças públicas, Villela acompanhou os programas de ajuste financeiro negociados pela União com os Estados no governo Fernando Henrique e trabalhou também no FMI (Fundo Monetário Internacional).

O atual secretário da Fazenda de Alckmin, Andrea Calabi, que ocupou o cargo desde o início do governo Alckmin, em 2011, já havia anunciado que deixaria o governo estadual neste ano.

Segundo a Folha apurou, emissários do governador convidaram antes para a Fazenda o presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Murilo Portugal, que foi secretário do Tesouro Nacional no governo FHC, mas ele não se mostrou disposto a assumir a função.

Alckmin tem procurado nomes de prestígio para recompor seu secretariado antes de assumir o novo mandato, que terá início em janeiro. O governador acha que assim dará mais visibilidade à sua gestão, ganhando força se quiser disputar a Presidência da República em 2018.

O desafio de Villela será manter a arrecadação do Estado em um momento de fragilidade da economia. Neste ano, até outubro, a arrecadação de ICMS, sua principal fonte de receita, caiu 2,1% em relação ao ano passado.

Alckmin precisa de mais recursos para investir em obras que possa entregar até o fim de seu novo mandato, em 2018, o que poderia aumentar suas chances como candidato à Presidência.

Villela também deverá assumir as articulações políticas iniciadas por Calabi com o objetivo de manter os governadores coesos nas negociações de uma reforma do ICMS com o governo federal.

O Ministério da Fazenda propôs mudanças para simplificar o imposto estadual e eliminar distorções que são vistas como obstáculos para a recuperação da economia.

Alckmin anunciou nesta quinta-feira (11) a escolha de seu novo secretário de Recursos Hídricos, o professor da USP (Universidade de São Paulo) Benedito Braga.

O destino do atual titular da pasta, Mauro Arce, que ocupou o cargo durante o período em que se agravou a crise hídrica em São Paulo, ainda não foi definido.

Colaborou MARIANA CARNEIRO, de São Paulo

Folha de S. Paulo