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Masp vai aumentar valor do ingresso para amenizar rombo
12/12/2014

 

Bilhetes podem subir de R$ 15 para R$ 25 a partir do ano que vem; entrada da instituição já é a mais cara entre os museus paulistas

 

SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

Depois de reconhecer que a dívida do Masp é maior do que se imaginava, detectando um rombo de R$ 10 milhões em contribuições previdenciárias não recolhidas, a direção do museu deverá anunciar um aumento do preço do ingresso que pode entrar em vigor em janeiro.

Hoje com entradas a R$ 15, o Masp tem o bilhete mais caro entre os museus paulistanos, contra R$ 6 do MAM ou a entrada franca no Itaú Cultural, ambas instituições privadas que recebem recursos incentivados, como é o caso do Masp. A Pinacoteca, que é pública, tem ingressos a R$ 6.

Segundo a Folha apurou, o presidente do Masp, Heitor Martins, propôs um aumento dos atuais R$ 15 para R$ 25 em reunião do conselho do museu nesta semana, numa tentativa de amenizar o rombo nas contas da instituição.

A última vez que o Masp reajustou o valor do ingresso foi em maio de 2006, quando bilhetes passaram de R$ 10 para R$ 15, um aumento de 50%. Se for a R$ 25 agora, o aumento do valor da entrada, de 67%, equivalerá à inflação acumulada do período.

Em entrevista à Folha, Martins disse que uma decisão final ainda não foi tomada sobre o aumento dos ingressos. "É evidente que a gente discute um leque muito amplo de alternativas", disse. "Mas ainda temos umas coisas para amarrar."

Conselheiros do museu, no entanto, dão como certo um aumento, mas divergem sobre o novo valor. Hoje a bilheteria corresponde a cerca de 13% do orçamento do Masp, rendendo cerca de R$ 2 milhões ao ano. O museu prevê para 2015 um orçamento de R$ 31 milhões, sendo R$ 26 milhões via Lei Rouanet (isenção fiscal).

Na última reunião do conselho do museu, também foi discutida, ainda segundo conselheiros presentes no encontro, uma parceria com o banco Bradesco, que passaria a financiar as mostras de um dos andares da instituição.

Desde que assumiu a direção do Masp em setembro deste ano, o novo grupo de diretores liderado por Martins vem tentando sanar as contas do museu, tendo já liquidado a dívida de R$ 12 milhões com recursos do banco Itaú, da Gerdau e doações de novos conselheiros.

Folha de S. Paulo