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Alckmin troca, de novo, comando da crise da água em SP
12/12/2014

 

Oito meses após última mudança, governo anuncia titular da pasta de Recursos Hídricos a partir de 2015

 

Benedito Braga é defensor de punir, por meios econômicos, quem consome água de forma excessiva

EDUARDO GERAQUE
DE SÃO PAULO

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou nesta quinta-feira (11) uma nova mudança na pasta responsável por administrar a crise da água --que já havia passado por uma troca de comando oito meses atrás.

O atual secretário de Recursos Hídricos, Mauro Arce, que assumiu em abril com a missão de gerenciar a maior crise hídrica do Estado em pelo menos um século, será substituído pelo engenheiro civil Benedito Braga, 67, a partir de janeiro de 2015.

O novo titular da pasta é um defensor de punir, por meios econômicos, o consumo excessivo de água. Na prática, adota discurso ao encontro das últimas declarações de Alckmin --que estuda sobretaxa na conta para punir os chamados "gastões".

A proposta chegou a ser anunciada no primeiro semestre por Arce, mas a gestão tucana recuou em seguida. Agora, voltou a ser cogitada.

Braga nunca assumiu um cargo executivo antes, mas é presidente do Conselho Mundial da Água, professor da USP e foi diretor da ANA (Agência Nacional de Águas).

Ele disse nesta quinta (11) que avaliará a necessidade de tarifa diferenciada para quem consumir muita água. Admitiu que, sem chuva forte, a situação em abril será crítica.

O destino de Arce no governo estadual ainda não foi definido. A expectativa é de que ele seja deslocado para a pasta de Energia ou para a presidência da Cesp (Companhia Energética de São Paulo).

Em entrevistas, Braga sempre se posicionou contrário à adoção de um rodízio de água e a favor da sobretaxa. Balanço da Sabesp mostra que 25% dos consumidores da Grande SP aumentaram seu consumo nos meses da crise.

Em entrevista à Folha em março, Braga criticava a abordagem dada à crise hídrica por diversos setores.

"Não adianta a imprensa, a sociedade e os governantes lembrarem desse tema apenas durante as crises de seca ou de grandes enchentes."

Folha de S. Paulo