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Após escalada de assaltos, Alckmin troca comando da Segurança em SP
18/12/2014

 

Ex-promotor assume secretaria depois de 17 aumentos mensais consecutivos de roubos

 

Alexandre de Moraes substituirá Fernando Grella, que assumiu há 2 anos e adotou ações ainda sem grande efeito

GUSTAVO URIBE
REYNALDO TUROLLO JR.
ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO

Após os roubos subirem por 17 meses seguidos no Estado e na cidade de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou a troca da cúpula da Segurança Pública. No cargo há dois anos, Fernando Grella deixa a pasta, que será assumida por Alexandre de Moraes.

Formado em direito pela USP, Moraes já foi promotor de Justiça, secretário da Justiça em uma gestão anterior de Alckmin, secretário municipal dos Transportes na gestão Gilberto Kassab (PSD), diretor da Fundação Casa (antiga Febem) e membro do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Ele assumirá após desgaste da gestão tucana diante da escalada de assaltos --apesar da redução dos homicídios.

Grella vinha prometendo conter os crimes contra o patrimônio com operações de policiamento em bairros críticos e tecnologia para inteligência policial --medidas ainda sem impacto significativo.

O novo secretário tem um escritório de advocacia. Ex-filiado ao DEM, foi defensor do deputado Rodrigo Garcia (DEM) no escândalo do cartel dos trens em São Paulo.

Segundo a Folha apurou, antes de ser convidado para a Segurança, no domingo (14), Moraes foi sondado por Alckmin para a Secretaria dos Transportes Metropolitanos. Sua nomeação faz parte da cota pessoal do tucano.

A cúpula do governo estava dividida sobre a manutenção de Grella na secretaria. Alguns defendiam um secretário "mais dinâmico e impositivo" que o atual, que vinha tentando mudar seu estilo.

Nos últimos dias, integrantes do governo ventilaram informações de que Grella queria deixar a secretaria a pedido de sua família. A interlocutores, porém, ele dizia que queria ficar na pasta mais um tempo para "colher os frutos" de medidas que implantou.

"Nós não temos dúvidas de que as ações que estão sendo implementadas vão surtir efeitos na redução dos roubos no ano que vem. Então, podem anotar: a partir de janeiro, começaremos a ter quedas nos indicadores de roubos em geral", disse Grella nesta quarta (17), quando foi anunciada sua saída.

Vindo do Ministério Público, Grella assumiu a pasta no final de 2012 em substituição a Antonio Ferreira Pinto, que caiu em meio a um aumento de homicídios. Tinha a missão de harmonizar as relações entre as polícias Civil e Militar, já que Ferreira Pinto havia se aproximado mais da PM. Sua gestão acabou se aproximando mais da Polícia Civil.

Convidado para a Secretaria da Justiça, Grella recusou. "Agradeci, mas vou retornar ao Ministério Público", disse o secretário, que deixa o cargo em 31 de dezembro.

Folha de S. Paulo