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Santa Casa suspende exames e cirurgias não emergenciais
19/12/2014

 

Casos considerados como não graves serão adiados para data não definida

 

Consultas também serão afetadas; em crise financeira, instituição diz que pronto-socorro continuará aberto

DE SÃO PAULO

Cinco meses após fechar as portas do pronto-socorro central por 28 horas, a direção da Santa Casa de São Paulo anunciou nesta quinta (18) a suspensão de exames, consultas e cirurgias agendadas.

Só serão atendidos casos considerados graves, em que há risco ao paciente. Todos os diagnósticos tidos como menos graves serão adiados para data não definida.

A medida afeta parte das 4.000 cirurgias, 31 mil consultas e 150 mil exames realizados mensalmente, em média. As cirurgias agendadas serão analisadas caso a caso.

"A Santa Casa entrará em contato com todos os pacientes que têm consultas e cirurgias agendadas para os próximos dias para confirmar ou informar o adiamento", diz trecho da nota do hospital.

A instituição diz que o pronto-socorro central continuará aberto e em funcionamento, mas "sendo priorizados os casos de emergência".

A decisão ocorre um dia após a empresa de limpeza e manutenção do hospital demitir seus mais de 1.100 funcionários devido ao atraso do pagamento e a uma dívida superior a R$ 22 milhões.

Os funcionários estão de aviso prévio e continuarão trabalhando até janeiro, mas os serviços já estão sendo comprometidos.

A medida foi tomada também um dia após parte da mesa administrativa da Santa Casa não conseguir convencer o provedor Kalil Rocha Abdalla a deixar o cargo.

Em comunicado a funcionários anunciado as medidas, o superintendente Irineu Massaia cobrou da mesa "resposta brevíssima" para a falta de recursos.

"Frente a esses fatos, a nova gestão alerta à responsabilidade da mesa administrativa com as consequências gravíssimas com a integridade dos pacientes e colaboradores", diz a nota.

A dívida da Santa Casa é estimada em mais de R$ 800 milhões e há atraso de salário.

O governo estadual acena que não deve repassar recursos extras à Santa Casa (além de serviços contratados) enquanto Kalil estiver no cargo.

Um dos argumentos utilizados é a orientação do Ministério Público de que o provedor não tem condições de permanecer no cargo e, por isso, é temerário fazer novos repasses de recursos públicos. "Eles [irmãos, que elegem o provedor] colocaram uma pessoa para gerir a Santa Casa rigorosamente inábil, que a colocou a em total estado de penúria e de pré falência. Espero que o tirem de lá", diz o promotor Arthur Pinto Filho.

Kalil afirma estar confortável no cargo.

(ROGÉRIO PAGNAN, THAIS BILENKY E NATÁLIA CANCIAN)

Folha de S. Paulo