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São Paulo só 'conhece' 7% das suas árvores
30/12/2014

 

Software disponível há 7 anos avalia risco de queda, mas apenas 48 mil plantas foram cadastradas pela prefeitura

 

Programa pode mapear pragas e interferências; mapeamento aponta 650 mil árvores em calçadas e canteiros

FERNANDA MENA
DE SÃO PAULO

Se a prefeitura tivesse priorizado nos últimos sete anos um cadastramento de árvores que está disponível e permite avaliar a saúde e os riscos de queda, a capital paulista poderia ter amanhecido nesta segunda-feira (29) sem um cenário tão trágico.

Um mapeamento inédito da prefeitura aponta que existem 650 mil árvores em calçadas e canteiros na cidade.

Mas apenas 48 mil --ou seja, 7,4%-- foram cadastradas no Sisgau (Sistema de Gerenciamento de Árvores Urbanas), um programa encomendado pela prefeitura em 2003 ao IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e disponível desde 2007 aos técnicos.

O software, desenvolvido ao custo de R$ 800 mil, teve a encomenda motivada justamente pela queda de árvores --fenômeno que se repete a cada ano na época das chuvas, mas que atingiu recorde na madrugada de ontem, quando 286 tombaram.

O programa avalia parâmetros como localização da espécie, características biológicas, geometria da árvore, presença de pragas (cupim, broca, formiga e fungos) e interferências do entorno (fiação, ponto de ônibus, bueiro).

"A partir desses dados é feito um cálculo de risco que determina o estado da árvore e recomenda sua poda ou substituição", diz Maria Cristina Machado Domingues, analista de sistemas do IPT.

Para Sérgio Brazolin, pesquisador do IPT e um dos criadores do sistema, "tem de haver estrutura" para o uso de uma ferramenta como essa.

"É uma operação complexa. São muitos os parâmetros que precisam ser analisados e me parece que precisaria haver uma força-tarefa."

Segundo Danilo Mizuta, engenheiro florestal da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, árvores são registradas no Sisgau diariamente por cada subprefeitura, que tem pelo menos dois técnicos da área.

Como são 32 as subprefeituras, há, ao menos, 64 pessoas trabalhando no cadastro de árvores. Com um universo de 602 mil árvores ainda não catalogadas, cada técnico precisaria registrar dados de mais de 9.400 árvores para concluir esse serviço.

Folha de S. Paulo