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Praia de Santa Catarina passa a cobrar taxa de entrada para turistas
07/01/2015

 

Veículos visitantes de Bombinhas terão de pagar pela estadia; valor será usado para preservação ambiental, segundo a prefeitura

 

JEFERSON BERTOLINI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM FLORIANÓPOLIS

Um dos destinos turísticos mais preservados do litoral catarinense, Bombinhas começou nesta terça-feira (6) a cobrar dos visitantes uma taxa de preservação ambiental, a primeira do Estado.

O Ministério Público tentou evitar a medida, alegando que ela é "discriminatória" e "impede o livre trânsito". Mas a Justiça não acatou os argumentos e a autorizou.

Por causa da polêmica e de ajustes no sistema, a prefeitura adiou três vezes o início da cobrança por estadia (independente de quantos dias o veículo fique na cidade) --R$ 2,72 para motos, R$ 21,83 para carros, R$ 43,67 para vans e R$ 109,16 para ônibus.

Com 14.293 habitantes, Bombinhas (a 68 km de Florianópolis) tem 14 praias, a maioria delas com mar azulado e areia clara e fofa.

Na temporada, segundo a secretaria de Turismo, chega a receber 800 mil visitantes.

Nos últimos anos, devido às belezas naturais e ao potencial náutico, a cidade tem se convertido em destino de endinheirados, como o jogador de futebol Neymar.

"Não queremos espantar os turistas. Queremos é dar uma qualidade melhor a quem nos visita", afirma o secretário de Turismo, Luciano Marcondes.

A taxa será cobrada entre 15 de novembro e 15 de abril, e o valor arrecadado deve ser aplicado em infraestrutura e educação ambiental, preservação do meio ambiente, limpeza pública e saneamento, segundo a prefeitura.

Para a Associação Empresarial de Bombinhas, entidade que reúne hoteleiros e donos de bares e restaurantes, a cobrança é necessária.

"Com ela, a cidade fica como um parque: a pessoa paga para entrar, mas tem praia limpa e água limpa", diz o presidente, Mário Pêra.

O professor Maurício Pereira Gomes, 47, dono de uma casa de temporada na cidade, diz que Bombinhas vem sofrendo com o "turismo predatório". Mesmo assim, é contra a cobrança. "Ela cria uma peneira econômica, e as praias são um patrimônio de todos os brasileiros", diz.

A cobrança será eletrônica: um radar vai fotografar a placa do veículo quando este entra no município, e o motorista terá 30 dias para fazer o pagamento em postos autorizados no comércio local.

Folha de S. Paulo