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Petrobras acelera compra externa de gasolina
08/01/2015

 

Companhia e concorrentes aproveitam queda na cotação internacional do petróleo

 

SAMANTHA LIMA
PEDRO SOARES
DO RIO

Após ter se empenhado para reduzir as importações de combustíveis, nos nove primeiros meses de 2014, a Petrobras inverteu o movimento e voltou a comprar mais combustíveis no exterior.

Devido à queda na cotação externa do petróleo, a gasolina fora do país está 36% mais barata, e o diesel, 31%.

De acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo), em outubro a Petrobras pediu aval para importar 151 mil toneladas de gasolina, 150% além da média de julho a setembro.

Em novembro, o pedido foi de 198 mil toneladas e, em dezembro, chegou a 388 mil toneladas, ou 546% a mais do que no terceiro trimestre. Houve movimento similar nos pedidos de diesel.

De janeiro a outubro, o preço do barril esteve acima de US$ 85, chegando ao pico de US$ 112 em junho, quando começou a cair --fechou em US$ 51 nesta quarta-feira (7).

Nesses dez meses, a gasolina brasileira, por determinação do governo, tinha preço 15,7% mais baixo que no exterior, segundo o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura).

A Petrobras importa parte do combustível que vende e vinha se esforçando para derrubar essa importação.

Assim, as autorizações de importação saíram de uma média mensal de 215 mil toneladas, nos seis primeiros meses do ano, para 60 mil toneladas de julho a setembro.

Mas, agora, a gasolina está quase 55% mais cara, e o diesel, 41,5%, que no golfo do México, segundo o CBIE.

Já a Raízen, dos postos Shell, obteve aval para importar, em dezembro, 55 mil toneladas de gasolina. A Alesat pediu para importar 20 mil toneladas. Elas não haviam registrado pedidos anteriores.

Raízen e Alesat não se pronunciaram. A Petrobras disse que a política de preços não acompanha as oscilações de curto prazo no petróleo.

REAJUSTE

O movimento das concorrentes da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, ligou o sinal de alerta da estatal, uma vez que poderá levar à queda na venda de derivados nas refinarias. A Folha apurou que o assunto chegou a ser abordado em reunião do conselho de administração da Petrobras em dezembro.

Uma saída seria reduzir o preço, para frear a concorrência. A questão é que os conselheiros também querem que a estatal aproveite os preços maiores para recompor seu caixa, após anos de perdas.

Segundo o CBIE, a Petrobras perdeu R$ 57 bilhões entre 2011 e 2014, com a defasagem. Considerando a defasagem média de dezembro, a Petrobras tem ganhado R$ 3 bilhões por mês vendendo combustíveis mais caros.

A ideia é que os preços só caiam se a importação pelas rivais tornar-se incômoda.

Folha de S. Paulo