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Sabesp coloca todos os bairros de São Paulo sob risco de torneira seca
14/01/2015

 

Operação atinge também 37 cidades da Grande SP e interior

 

FABRÍCIO LOBEL
DE SÃO PAULO

Pela primeira vez na atual crise de abastecimento na Grande São Paulo, a Sabesp admitiu que coloca todos os bairros da capital paulista sob redução de pressão de água --manobra que, na prática, ameaça deixar moradores com as torneiras secas.

A informação foi publicada como resposta a uma determinação da Arsesp (agência reguladora estadual) para que a empresa publicasse em seu site a relação das regiões que podem ser afetadas.

Até então, a estatal admitia essa operação, mas não informava sua abrangência.

A medida é adotada na capital e em 37 cidades da Grande SP e do interior do Estado.

O objetivo da redução de pressão é diminuir a força com que a água é enviada pelas tubulações e assim conseguir diminuição do consumo e das perdas nas inúmeras falhas e vazamentos da rede.

A Sabesp diz que a operação é programada para acontecer todas as noites, quando há menor consumo de água.

Na prática, em qualquer bairro, quem estiver em regiões mais altas e não tiver caixa-d'água capaz de suprir a família por 24 horas, estará sujeito à falta de água.

É o caso da aposentada Joana Fernandes de Souza, 68, que diz sofrer com a redução de pressão em sua casa, que não tem caixa-d'água, no Limão, na zona norte. "Às 13h, a água vai ficando mais fraca. Eu tenho que acordar às 5h para lavar roupa."

O ajudante geral Edson Santos, 40, agora chega ao condomínio onde trabalha no Jardim Europa (zona oeste), às 6h30. "Tenho de começar o serviço enquanto tem água."

Ao assumir a presidência da Sabesp no início deste ano, Jerson Kelman declarou que iria reforçar ainda mais a operação, para evitar um colapso dos reservatórios.

Ainda segundo a Sabesp, mesmo com a redução de pressão, deveria haver garantia do abastecimento ininterrupto da cidade. Eventuais falhas, desvios irregulares de água ou até a inauguração de um grande empreendimento em um bairro podem alterar a logística de envio de água.

Para contornar o problema, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) chegou a anunciar em dezembro de 2014 a distribuição de 10 mil caixas-d'água para moradores mais afetados pela ação.

Colaborou MONIQUE OLIVEIRA

Folha de S. Paulo