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Caixa sobe juro e perde vantagem no crédito para imóvel de alta renda
16/01/2015

 

Banco segue competitivo no financiamento de casa até R$ 750 mil; linha popular é preservada

 

Medida deve dificultar comprovação de renda para financiamentos de imóveis acima de R$ 750 mil em SP e Rio

TONI SCIARRETTA DOUGLAS GAVRAS
DE SÃO PAULO

Maior financiadora da habitação no país, a Caixa Econômica Federal vai subir os juros dos empréstimos para a compra da casa própria a partir da próxima segunda.

Os maiores aumentos serão para os imóveis acima de R$ 750 mil, cuja taxa de balcão (espécie de tabela cheia) passa de 9,2% para 11% ao ano mais a TR (Taxa Referencial), encostando nos juros dos demais bancos. Para os clientes com relacionamento (que têm seguro, investimentos etc.), o juro sobe de 9,10% para 10,70% (veja ao lado).

As taxas do Banco do Brasil para casas acima de R$ 750 mil, por exemplo, ficarão menores do que as da Caixa. Enquanto a Caixa passa a cobrar entre 10,2% e 11%, BB cobra de 9,4% a 9,6% e não há previsão de novo reajuste.

É a primeira mudança na tabela da Caixa, que ficou congelada durante todo o ano passado, período marcado pela eleição. O reajuste ocorre duas semanas após a posse da equipe econômica, com discurso de austeridade nos gastos públicos.

O motivo alegado para o aumento das taxas é a alta da taxa Selic, os juros da dívida pública brasileira, que subiu de 10% para 11,75%. Ficaram de fora do reajuste os financiamentos populares.

"O recado da Caixa é: deixa eu tirar o pé desse mercado. A Caixa vinha praticando taxas irreais com um público que não era dela. A nova equipe econômica deve ter feito ela se voltar mais para o social", disse Marcelo Prata, presidente do Canal do Crédito, site que compara taxas de crédito imobiliário.

Para imóveis de até R$ 750 mil, contemplados pelo SFH (Sistema Financeiro da Habitação) e que usam recursos da poupança (que rende 6% mais TR), o aumento será de 8,75% para 9% ao ano mais TR para os clientes que tenham outros produtos, comportamento mais comum.

"As novas taxas atrapalham bastante o setor. Pode inviabilizar algumas operações", disse Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP.

"Vai afetar os imóveis acima de R$ 500 mil, que já têm uma liquidez menor. Fica mais difícil comprovar renda e aprovar o crédito", disse Léo Rosembaum, especialista em direito imobiliário da Rosembaum Advocacia.

Por exemplo, a alta de 9,2% para 11% no juro de um empréstimo R$ 500 mil por 30 anos (imóvel acima de R$ 750 mil) pela Tabela SAC (amortizações constantes) implica um aumento na primeira parcela de R$ 5.222 para R$ 5.972. Nesse caso, a renda família precisaria subir de R$ 17.407 para R$ 19.907, segundo simulação da Anefac.

Folha de S. Paulo