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Emprego na indústria tem maior retração desde 2009
16/01/2015

 

Mercado de trabalho do setor sofre com efeitos do momento de fraqueza da economia nacional

 

PEDRO SOARES
DO RIO

O ano de 2014 foi de crise no mercado de trabalho na indústria, com queda do emprego, da renda e das horas trabalhadas --o que aponta para uma nova retração no número de vagas neste ano.

De janeiro a novembro, o emprego no setor caiu 3,1%, pior desempenho para o período desde 2009, ano da crise global. Trata-se ainda da terceira queda seguida para o acumulado dos 11 primeiros meses do ano.

Na taxa acumulada nos últimos 12 meses, houve retração de 3%, mantendo-se a trajetória descendente iniciada em setembro de 2013.

Em novembro, o emprego recuou pelo oitavo mês consecutivo, com queda de 0,4% ante outubro, segundo o IBGE.

Na comparação com novembro de 2013, a perda de 4,7% corresponde ao 38º resultado negativo seguido nesse tipo de confronto e também ao mais intenso desde outubro de 2009.

O emprego sofre com a crise da indústria, que produziu menos em 2014 sob efeito de juros maiores, crédito restrito, empresários e consumidores pessimistas e desaceleração da renda, diz Fernando Abritta, técnico do IBGE.

Outros fatores de impacto, segundo ele, são a maior competição com importados e o desempenho fraco das exportações brasileiras.

HORAS EXTRAS

Com menor ritmo de produção e férias coletivas em alguns setores para ajustar estoques, o número de horas pagas aos trabalhadores da indústria caiu pelo sétimo mês seguido na indústria, com perda de 0,9% de outubro para novembro.

No acumulado de 2014 (janeiro a novembro), a retração soma 3,7%.

O indicador mostra que não existem perspectivas favoráveis para o emprego, pois, antes de abrirem vagas, as empresas utilizam mais horas de seus trabalhadores, pagando horas extras ou usando banco de horas.

Ou seja, trata-se de um índice que, se positivo, antecede o aumento do emprego, o que não é o caso.

Para Fábio Romão, economista da LCA, o emprego na indústria manterá a tendência de queda em 2015, quando o mercado de trabalho como um todo tende a piorar.

"Não há previsão de melhora em um ano que será de baixo crescimento."

De acordo com a consultoria LCA, a indústria fechará os números do ano de 2014 com menos 190 mil vagas formais. Para 2015, a perspectiva é de uma perda de 65 mil postos de trabalho, de acordo com previsão baseada em dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Folha de S. Paulo