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Agência rebaixa nota de crédito da Vale
24/01/2015

 

Decisão é motivada pela queda nos preços do minério de ferro; empresa, no entanto, mantém status de boa pagadora

 

S&P também cita acesso limitado de exportadores brasileiros a moeda estrangeira como fator de risco

TATIANA FREITAS
DE SÃO PAULO

A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota de crédito da Vale de A- para BBB+, com perspectiva estável. Com o novo rating, a empresa mantém o grau de investimento, o selo de bom pagador no mercado financeiro.

A mudança, anunciada na noite de sexta (23), reflete a queda no preço do minério de ferro, o que afeta a capacidade de geração de caixa da Vale enquanto suas despesas continuam altas, devido ao seu plano de investimentos.

Nesta semana, a S&P reduziu a sua estimativa para os preços do minério de ferro para US$ 65 por tonelada em 2015 e em 2016. Para 2017, a projeção é de US$ 70.

"O rebaixamento reflete a nossa expectativa de que o perfil de risco financeiro da Vale vai piorar nos próximos dois anos para níveis incompatíveis com o nosso rating anterior", informou a S&P.

A performance da empresa só deve melhorar em 2017, quando a mineradora terá concluído os seus projetos de expansão e poderá levar sua produção a nível recorde.

Também nesta sexta, o banco Goldman Sachs reduziu a recomendação do ADR da Vale [recibo de ação negociado em NY] de compra para neutra. A decisão também foi motivada por piora nas previsões para o preço dos metais.

AÇÕES CAEM 5%

A notícia foi suficiente para derrubar as ações da empresa na Bolsa. O papel preferencial fechou em baixa de 5,32%, para R$ 18,32, contribuindo para a desvalorização de 1,35% do Ibovespa.

Em 12 meses, as ações da Vale já acumulam perdas de 33%. No mesmo intervalo, o preço do minério com 62% de teor de ferro na China, referência no mercado internacional, tem queda de 47%, segundo o Steel Index.

O novo rating também está alinhado com a deterioração do cenário macroeconômico no Brasil. Para a S&P, a habilidade da empresa para cobrir os seus pagamentos, em um período de acesso limitado de exportadores a moeda estrangeira, será restrita.

"Esse não era o caso quando o minério de ferro estava em US$ 85 por tonelada ou ainda mais caro, o que resultava em uma geração de caixa em moeda estrangeira muito robusta para a Vale."

A S&P ressalta, porém, que o atual cenário beneficia a Empresa em termos de custos. O custo do transporte do minério caiu 40% em seis meses, enquanto o real recuou 15%.

Colaborou ANDERSON FIGO, de São Paulo

Folha de S. Paulo