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Santa Casa suspende mais de mil demissões e vai vender imóveis
29/01/2015

 

Sindicato dos médicos diz acreditar que houve apenas um adiamento no corte de funcionários

 

Assessoria do hospital informou que estão sendo feitas reuniões com o governo estadual em busca de soluções

MONIQUE OLIVEIRA
DE SÃO PAULO

A Santa Casa de São Paulo voltou atrás e decidiu suspender a demissão de 1.100 funcionários anunciada na semana passada. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (28), em reunião do provedor em exercício, Ruy Martins Altenfelder Silva, com a mesa administrativa da instituição.

Em nota, a assessoria de imprensa da Santa Casa informou que a instituição irá vender imóveis vagos para reequilibrar as finanças do hospital e que está fazendo reuniões com o governo do Estado para contornar a grave crise financeira.

As demissões seriam uma resposta a essa crise enfrentada pela instituição, que acumula uma dívida de mais de R$ 773 milhões e deve a 669 funcionários os pagamentos referentes ao mês de novembro e o 13º salário.

Dos demitidos, 60% seriam da área administrativa e 40% da assistência à saúde --médicos, técnicos e enfermeiros. A Santa Casa tem 7.000 funcionários.

Segundo a assessoria de imprensa da instituição, será realizado um novo estudo para readequar o quadro de funcionários.

ADIAMENTO

O sindicato dos médicos (Simesp) informa, no entanto, que as demissões ainda devem ocorrer.

"Há um adiamento, não uma suspensão", afirma Eder Gatti, presidente do Simesp. "A superintendência já deixou muito claro que as demissões são necessárias e que há um inchaço da folha [de pagamento]."

Médicos da instituição afirmam ter sido informados de que o corte de funcionários será inevitável.

"Eles só não demitiram porque precisam do dinheiro para honrar com as rescisões dos contratos", diz Bruno Bueno, cardiologista e integrante do Movimento Santa Casa Viva, criado por médicos para pedir a saída do provedor Kalil Abdalla, que está licenciado do cargo.

O movimento diz que a instituição precisa de R$ 35 milhões para honrar com os direitos trabalhistas antes das demissões, mas que os empréstimos bancários ainda não saíram.

ATENDIMENTO

Enquanto a Santa Casa estuda uma maneira de sanar as dívidas, o atendimento da instituição continua comprometido.

Médicos informam que apenas procedimentos simples estão sendo realizados. Especialidades mais complexas, como ortopedia, estão paradas pela ausência de verba para próteses.

O cenário, segundo médicos, está bem melhor que o de dezembro, quando a instituição quase fechou.

Em julho, a Santa Casa fechou seu pronto-socorro central por 28 horas, pegando pacientes de surpresa.

Na sexta-feira (23), o Ministério Público do Trabalho informou que, durante audiência, o superintendente da Santa Casa, Irineu Massaia, disse que a folha de salários representa 65% da receita e que a dispensa traria uma economia de R$ 4 milhões.

Folha de S. Paulo