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Alckmin corta 10 mil vagas em programa de educação
30/01/2015

 

Vitrine da campanha eleitoral, iniciativa banca curso técnico para alunos

 

Em documento enviado a instituições parceiras, gestão diz que redução se deve à 'rearticulação' das ações do governo

FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO

O governo de São Paulo reduziu à metade um programa que visa dar ensino técnico aos alunos da rede estadual.

Chamada Vence, a iniciativa foi uma das mais citadas na área da educação e emprego pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) durante a campanha à reeleição ao cargo no ano passado.

Tradicionalmente, eram abertas 20 mil vagas por semestre para alunos da rede estadual fazerem curso técnico em instituições parceiras.

Nesta quinta-feira (29), a Secretaria da Educação enviou documento para as instituições avisando que seriam apenas 10 mil novas vagas, "em razão da rearticulação das ações governamentais para a gestão 2015-2018".

Com arrecadação em baixa devido ao fraco desempenho da economia, Alckmin contingenciou neste mês 3% do Orçamento deste ano.

Segundo uma instituição que participa do programa, as inscrições para este semestre já estavam encerradas e foram feitas contando que seriam 20 mil novos participantes. Agora, metade dos alunos terá de ser dispensada.

As escolas de ensino técnico credenciadas recebem do governo um valor por aluno para oferecer o curso gratuito ao estudante.

Entre as áreas de conhecimento, estão administração, enfermagem e informática.

Criado em 2012 na própria gestão Alckmin, o programa tem o objetivo de ampliar a possibilidade de emprego dos estudantes.

Também é apontado pelo governo como forma de melhorar o ensino médio, pois pode motivar os alunos e ampliar seus conhecimentos.

Em agosto passado, em um dos primeiros compromissos públicos após a oficialização da candidatura para reeleição, Alckmin visitou um colégio que integra o programa, para elogiar a iniciativa.

Procurada na noite desta quinta-feira (29), a Secretaria da Educação informou que outras 10 mil vagas devem ser abertas ao longo do ano.

Se isso se confirmar, serão 20 mil no ano, montante que era aberto por semestre.

A pasta disse ainda que, devido ao horário em que foi questionada, não era possível detalhar a medida.

FEDERAL

No fim do ano passado, o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) também anunciou ações que devem reduzir um programa federal de auxílio a estudantes.

O Fies (programa de financiamento estudantil a universitários) passou a ter uma nota de corte, o que diminui o público apto ao programa.

A União também enfrenta dificuldades orçamentárias.

Folha de S. Paulo