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Mudança em benefícios tem agora oposição da indústria
30/01/2015

 

Após sindicalistas, Fiesp pede flexibilização de regras para auxílio-doença

 

Ministros demonstram posições divergentes sobre acordo; negociação deixa meta de economia de R$ 18 bi mais distante

TATIANA FREITAS
DE SÃO PAULO

O auxílio-doença se tornou mais um entrave à meta do governo federal de economizar R$ 18 bilhões com as mudanças nas regras para concessão de benefícios trabalhistas e previdenciários.

Depois de as centrais sindicais pedirem alterações, a indústria agora reclama da proposta para o auxílio-doença.

Pela nova regra, a empresa terá de pagar o salário integral do funcionário nos primeiros 30 dias de afastamento. Hoje, ela banca apenas os primeiros 15 dias, e os demais ficam por conta do INSS.

"A indústria é contrária à medida e vamos discutir isso no Congresso", disse nesta quinta (29) o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, após reunião com o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

Questionado sobre uma possível flexibilização das novas regras, Barbosa disse que elas foram propostas "no tamanho que nós achamos correto" e que, apesar de ter aberto diálogo com as centrais sindicais, o governo levará a questão ao Congresso.

Mas, também nesta quinta, o ministro Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) indicou que o governo pode alterar as propostas.

"Esse diálogo com as centrais é de duas mãos. [...] É evidente que as medidas podem ser qualificadas, ajustadas e acreditamos que o diálogo pode sustentar isso."

Na próxima terça (3), sindicalistas e ministros se reunirão, pela segunda vez, para discutir as propostas.

Nos bastidores, já se fala em rever parte das mudanças nas regras do seguro-desemprego e do abono salarial, o que tornaria mais difícil a meta de economia de R$ 18 bilhões. Só com as mudanças nas regras com o abono, o governo perderia R$ 7 bilhões em economia neste ano.

Para o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, é natural que o governo comece as negociações com um valor acima para ter margem de manobra.

"Na minha época, mandávamos [ao Congresso] mais do que precisávamos. Isso é normal", diz Velloso, que esteve no Ministério do Planejamento na década de 1990.

No mercado, espera-se uma economia menor do que a meta do governo. A Tendências Consultoria, por exemplo, prevê um impacto de R$ 10 bilhões nas contas.

Colaborou MARIANA HAUBERT, de Brasília

Folha de S. Paulo