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Desemprego em 2014 vai a 4,8% e é o menor em 12 anos
30/01/2015

 

Com menor procura por trabalho, taxa recua ante 2013, quando foi de 5,4%

 

Analistas esperam que, devido a cenário econômico difícil, desemprego volte a subir neste ano

PEDRO SOARES
DO RIO

Apesar da estagnação do número de vagas criadas, a taxa de desemprego atingiu, em 2014, a menor marca anual da série história do IBGE, iniciada em 2002. O percentual foi de 4,8%, abaixo dos 5,4% de 2013.

A aparente contradição ocorreu porque menos pessoas procuram trabalho e mais pessoas migram para a inatividade em tempos de crise e de rendimento ainda em alta --lastro para que mulheres e mais jovens se dedicassem a outras atividades, como o estudo e os afazeres de casa, até vislumbrarem oportunidades melhores.

Com o fraco desempenho da economia e o fechamento de postos de trabalho, especialmente no comércio, na indústria e na construção, o total de ocupados recuou 0,1% entre 2013 e 2014.

Foi a primeira queda, ainda que discreta, desde o início da pesquisa do IBGE.

Sem a abertura de vagas e com a saída de pessoas da força de trabalho, a chamada taxa de atividade (total de pessoas economicamente ativas em relação ao total de pessoas com mais de dez anos) caiu de 57,1% para 56%, o mais baixo nível desde 2003.

O número mostra uma menor participação de pessoas no mercado de trabalho e o interesse reduzido em ir atrás de uma colocação. De 2013 para 2014, 686 mil pessoas se tornaram inativas nas seis maiores metrópoles do país --uma alta de 3,7%, a maior da série da pesquisa.

Foi esse cenário de baixa procura por trabalho que provocou também o recuo da taxa de desemprego em dezembro --para 4,3%, mais baixo índice da pesquisa, igualando o dezembro de 2013.

Tal tendência, porém, não deve se repetir agora em 2015. A expectativa de analistas é que mais pessoas busquem um trabalho, o que irá pressionar a taxa de desemprego.

O Bradesco e a LCA Consultores projetam uma taxa de 5,7%. A Tendências Consultoria prevê 6,3%.

Rafael Bacciotti, da Tendências, diz que a provável queda do PIB neste ano (estimada em 0,5%, sem contar um possível impacto do racionamento de energia) e o ajuste fiscal imposto pelo governo deverão acentuar o volume de demissões.

Além disso, diz, a desaceleração do rendimento e um menor aumento do salá- rio mínimo obrigarão mais pessoas a procurar trabalho para complementar a renda familiar.

Para o Bradesco, a taxa subirá de modo "gradual" ao longo dos próximos meses, acompanhado da "moderação" na abertura de vagas.

Alexandre Espírito Santo, economista do Ibmec, diz que houve uma "postergação das demissões" em 2014, sob efeito da Copa e das eleições. Os eventos, segundo ele, trouxeram perspectivas positivas aos empresários, que devem acelerar os cortes neste ano.

Para a Rosenberg & Associados, os elevados custos de demissões (ampliados com o crescimento do número de empregados formais nos últimos anos) adiaram para 2015 cortes mais profundos no emprego.

Até mesmo o processo contínuo de formalização perdeu força em 2014. O número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 0,9%, menor ritmo desde 2004.

Folha de S. Paulo