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Prazo para pagar empréstimos do setor elétrico vai dobrar, diz Braga
30/01/2015

 

DE BRASÍLIA

O ministro Eduardo Braga (Minas e Energia) disse nesta quinta-feira (29) que o governo vai dobrar o prazo para pagamento dos empréstimos bilionários tomados pelo setor elétrico em 2014.

A medida, que depende da aceitação dos bancos públicos e privados, faz parte do plano de tentar conter o aumento das contas de luz.

Por necessidade de contratar energia extra --e mais cara-- para atender a demanda de seus consumidores, as distribuidoras tiveram de tomar R$ 17,8 bilhões em empréstimos no ano passado.

O acordo, intermediado pelo governo, era que essa conta fosse paga em dois anos. Para isso, seria aplicado um aumento nas tarifas dos consumidores.

"A conta ACR [criada para viabilizar os empréstimos] deverá ser renegociada. É isso que está no planejamento", disse Braga. "O que alonga obviamente o pagamento, mas, ao mesmo, renegocia-se a taxa de juros."

As novas condições do acordo ainda não foram divulgadas.

MAIS UM

Ao mesmo tempo em que se estica o prazo dos acor- dos anteriores, o governo tenta costurar o que diz ser "o último empréstimo ao setor elétrico".

De acordo com o minis- tro, a nova operação, de R$ 2,6 bilhões, está "em fase de conclusão".

Esse valor será usado para fechar as contas de 2014, cobrindo os pagamentos pendentes dos meses de novembro e dezembro.

Por decisão da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o prazo desses pagamentos foi prorrogado do início de janeiro e início de fevereiro para 31 de março, dando mais tempo para a finalização do acordo.

Pelos riscos envolvidos na nova negociação, o governo já prevê uso exclusivo de recursos das entidades públicas, como Banco do Brasil, BNDES e Caixa Econômica --decisão já criticada por técnicos da área econômica do governo.

ECONOMIA

Braga também disse ontem que o governo quer economizar na geração de termelétricas movidas a óleo combustível, fazendo com que essas usinas sejam movidas a gás.

"Temos em torno de 2.500 MW de energia que são gerados por combustível muito caro, óleo diesel. Queremos fazer um estudo para substituir por um mais barato e mais adequado do ponto de vista ambiental", disse.

"Entre eles, por exemplo, o GNL, que hoje está sobrando no mercado internacional", disse.

De acordo com o ministro, o custo de geração dessas unidades, no novo mode- lo, pode cair de R$ 600/ R$ 650 por megawatt para R$ 210/R$ 220 o megawatt.

(VALDO CRUZ E JULIA BORBA)

Folha de S. Paulo