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BC prevê alta de 27,6% na energia e indica novos aumentos nos juros
30/01/2015

 

Autoridade monetária estima aumento de 9,3% nas tarifas controladas pelo governo neste ano

 

Copom afirma em ata que 'avanços alcançados no combate à inflação ainda não se mostraram suficientes'

EDUARDO CUCOLO
DE BRASÍLIA

A expectativa de um "tarifaço", puxado pelos reajustes de energia e combustíveis, está entre os motivos que levaram o Banco Central a aumentar os juros na semana passada. E que devem levar a instituição a apertar ainda mais o custo do dinheiro.

As tarifas e os preços controlados pelo governo devem subir 9,3% em 2015, segundo a instituição. A previsão anterior, feita no fim de dezembro, era de 6,2%. Essa projeção considera elevação de 8% no preço da gasolina e de 27,6% na energia elétrica.

A estimativa para a energia ainda está abaixo da algumas instituições, que falam em alta entre 30% e 40%.

As projeções constam na ata do Copom (Comitê de Política Monetária do BC) divulgada nesta quinta (29). No documento, a instituição justifica a decisão da semana passada, quando elevou a taxa básica de juros (Selic) de 11,75% para 12,25% ao ano.

O aumento desses preços está influenciado, segundo o BC, pelas decisões do governo de elevar os tributos sobre combustíveis, a partir de fevereiro, e de repassar para a conta de luz custos do setor que eram financiados por bancos ou pelo Tesouro.

As medidas estão dentro da nova política de melhora das contas públicas. Os gastos do governo contribuíram para o aumento da inflação no ano passado e, segundo o BC, podem ajudar a segurar os preços em 2015.

Mesmo com essa ajuda, o BC sinalizou que continuará a elevar os juros. "O Copom avalia que o cenário de convergência da inflação para 4,5% em 2016 tem se fortalecido. Para o comitê, contudo, os avanços alcançados no combate à inflação (...) ainda não se mostram suficientes", diz a instituição na ata.

A intensidade do aumento daqui para a frente não é consenso. A maior parte dos analistas espera que a taxa chegue a 12,50% no próximo encontro do Copom, em março.

VIGILANTE

Por um lado, o BC não repetiu afirmações feitas anteriormente de que fará o que for necessário para reduzir a inflação e de que está "especialmente vigilante". Essas expressões, agora retiradas do texto, eram vistas pelo mercado como sinais de que a instituição está disposta a um aperto monetário maior.

O BC diz ainda que o crescimento da economia será inferior ao seu potencial.

Por outro lado, o Copom não fala mais em usar os juros com "parcimônia", expressão usada no início do novo ciclo de alta da taxa.

"É uma ata que dá flexibilidade para o BC tomar decisões de 0,50 ou 0,25 ponto percentual, de acordo com os dados que saírem até a próxima reunião", afirmou Alexandre de Ázara, economista-chefe do Banco Modal.

Para ele, com a inflação batendo em 7% em 12 meses, será difícil para o BC reduzir o ritmo de alta.

Folha de S. Paulo