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SP tem o pior ciclo chuvoso em 30 anos
02/02/2015

 

Últimos 4 meses na capital paulista foram os mais secos desde 1985; ausência se reflete também no Cantareira

 

O único reservatório da Grande São Paulo com chuvas acima da média no mês de janeiro foi o Guarapiranga

FABRÍCIO LOBEL
DE SÃO PAULO

A cidade de São Paulo está vivendo a temporada chuvosa mais seca dos últimos 30 anos. Desde 1985, não chovia tão pouco entre os meses de outubro e janeiro.

Os dados tabulados pela reportagem são do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), cuja série histórica na cidade acumula 48 anos.

Com índice de precipitação de 502 mm entre outubro de 2014 e janeiro de 2015, a atual estação chuvosa é, portanto, a segunda pior em quase 50 anos. A média é de 753,6 mm.

A falta de chuvas se reflete também no Sistema Cantareira, hoje à beira de um colapso e que teve seu pior resultado no período desde a temporada 2013/2014.

O sistema atende 6,2 milhões de pessoas na Grande SP e operava neste domingo com 5% de sua capacidade, incluindo nessa conta as duas cotas do volume morto --essa foi a primeira queda do reservatório em sete dias.

Se apenas o regime de chuvas em janeiro for considerado, houve uma melhora no volume de chuva no Cantareira em relação ao mesmo período de 2014, quando choveu apenas um terço da média.

Neste ano, em janeiro, choveu cerca da metade da média, mas nada suficiente para afastar a chance de um duro rodízio nos próximos meses.

Apesar da ligeira melhora, a sequência de severa estiagem e o chamado "efeito esponja" fazem com que a chuva que atinge os mananciais tenha maior dificuldade de ser armazenada --como o solo está muito seco, as águas das chuvas não se acumulam.

Em janeiro, no sistema Alto Tietê, a chuva voltou a diminuir após passar dezembro dentro da média. Por lá, choveu 41% da média para o mês.

No mesmo período de 2014, o desempenho foi bem melhor, mesmo não tendo alcançado a média. O sistema abastece cerca de 3 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

Os dois maiores reservatórios em capacidade são os que causam maior preocupação à cúpula da Sabesp e do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

PERTO DO COLAPSO

O Cantareira, que caiu 2,1 pontos percentuais no primeiro mês de 2015, chegará ao nível zero em abril, se for mantido o atual padrão de consumo e de chuvas. Pela mesma conta, o Alto Tietê teria ainda oito meses de sobrevida.

O único reservatório da Grande SP a ter chuvas acima da média em janeiro foi o Guarapiranga, com 8% a mais do que a média.

No fim do ano passado, meteorologistas haviam previsto chuvas dentro da média para os meses de verão.

Com o início seco de janeiro, no entanto, essas previsões foram revistas. Não há, no momento, previsões de longo prazo que mostrem chuvas nos reservatórios que abastecem SP.

Folha de S. Paulo