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Governo discute rodízio só no Cantareira
05/02/2015

 

Modelo ganha força nas discussões entre gestão Alckmin e cúpula da Sabesp; sistema abastece 6,2 milhões de pessoas

 

Expectativa é que o governador e o presidente da estatal se reúnam até sexta (6) para tomar uma decisão

DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO

Integrantes do governo de São Paulo e da cúpula da Sabesp afirmam que as negociações em torno da adoção de um rodízio avançaram. A discussão agora se daria em torno de sua abrangência. A tese que vem ganhando força é que ele fique restrito à área do sistema Cantareira, que abastece 6,2 milhões de pessoas.

A expectativa é que o governador Geraldo Alckmin e o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, se reúnam até a sexta (6) para tomar uma decisão.

Na estatal, há técnicos que defendem um racionamento mais amplo, para a região metropolitana, o que pouparia também o sistema Alto Tietê. Nesta quarta (4), ele tinha 11% de sua capacidade.

O tema tem sido discutido em reuniões restritas no Palácio dos Bandeirantes. O entendimento é que seria preciso reduzir a captação do Cantareira em ao menos mais 5 mil litros por segundo para que ele possa resistir à estação de seca, a partir de maio. Hoje, são retirados 18,5 mil.

Há ainda a avaliação de que as obras para transferência de águas da represa Billings para a região abastecida pelo Cantareira poderiam amenizar o problema, mas, com as chuvas abaixo da média, seria temerário esperar, sem medidas adicionais, os cerca de 70 dias necessários para concluir os trabalhos.

Aos integrantes do governo, o corpo técnico tem dito que não seria possível reduzir ainda mais o volume extraído do Cantareira só com as ações já adotadas, como a redução da pressão na rede.

Nesses encontros, integrantes da Sabesp têm explicado que, com a redução da pressão, o sistema já economiza água equivalente a um racionamento de três dias com abastecimento e dois dias sem. Ainda assim, isso tem sido insuficiente, dado as chuvas abaixo da média e o baixo nível do reservatório --nesta quarta, estava em 5,2%.

Tanto na Sabesp quanto no governo é consenso que, ainda que a decisão de instituir o racionamento seja oficializada nos próximos dias, a população teria ao menos um mês para se preparar antes de a restrição ser adotada na prática.

O próprio Alckmin, ao falar sobre o assunto, disse na semana passada que nenhuma medida seria tomada sem que a população fosse avisada com "ampla antecedência".

Nesta quarta, o governador instituiu um comitê de crise para planejar ações com cidades da região metropolitana após prefeitos criticarem a falta de transparência na condução da crise.

Folha de S. Paulo