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Alckmin corta verba e orientador de escolas
06/02/2015

 

Medida do governo provoca falta de suprimentos como papel higiênico, cartolina e guache em colégios estaduais

 

Professores dizem fazer vaquinha para comprar material; secretaria afirma que parte do dinheiro não era usada

FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO

O governo de SP reduziu a verba para escolas comprarem materiais e cortou coordenadores pedagógicos em escolas com notas baixas.

Diretores e professores em quatro regiões do Estado (centro e sul da capital, Limeira e Sorocaba) afirmam que a redução da verba tem causado falta de suprimentos para os alunos, como papel higiênico, cartolina e guache.

Além da diminuição dos valores, as escolas já haviam ficado três meses sem o recurso (de novembro a janeiro).

Segundo os servidores, que pediram anonimato, os recursos voltaram a ser pagos, mas estão de 30% a 50% menores.

Um diretor na área de Sorocaba diz que recebia, até 2014, R$ 3.000 mensais; agora, menos de R$ 2.000. "O professor de artes pediu para os alunos trazerem guache, cartolina e pincel. Os pais estão reclamando, mas o que vamos fazer?", disse.

Um professor de Limeira afirmou que os docentes estão fazendo "vaquinha" para comprar materiais. Na unidade, a verba mensal caiu de R$ 2.000 para R$ 1.000.

Ao assumir o novo mandato, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou congelamento de 3% no Orçamento, devido à previsão de baixa arrecadação.

Questionada sobre as queixas dos educadores, a Secretaria Estadual da Educação afirmou que houve redução nos recursos porque parte do dinheiro não era usada.

Na semana passada, a Folha mostrou que o governo reduziu à metade as vagas abertas para o programa que oferece ensino técnico a alunos da rede estadual. O governo diz que fará novas chamadas.

Outro corte imposto na rede de ensino foi a da função de coordenador de apoio pedagógico nas escolas prioritárias (com baixas notas ou em áreas vulneráveis).

Para atuar na função, eram escolhidos docentes, que recebiam gratificação. No geral, tinham direito ao coordenador 25% das 4.000 escolas.

A esses coordenadores cabia ajudar na implementação do currículo, orientar os professores e outras ações.

Docentes afirmam ainda que está congelado o processo de evolução na carreira, que concede aumento de 5% no salário dos educadores que concluem cursos.

Dizem ainda que não foi dado reajuste salarial de 10,5% aos aprovados num exame em 2014 --o aumento tradicionalmente é feito até o fim do ano. E, em parte da rede, não chegou o kit escolar para os estudantes (com itens como caderno e lápis).

Folha de S. Paulo