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Nota de aluno do 5º ano melhora em SP
10/2/2015

 

Avaliação estadual apontou avanço em matemática e português nessa etapa; já ensino médio quase não sobe

 

Para especialista, resultado é positivo, 'mas é cedo para comemorar'; governo aposta em reforço

FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO

As notas dos alunos do 5º ano do ensino fundamental subiram no ano passado nas escolas estaduais paulistas. Já as do ensino médio praticamente estacionaram em patamar abaixo do adequado.

É o que mostra o Saresp, exame aplicado pelo governo de SP e que teve participação de 1,3 milhão de alunos.

A melhoria mais acentuada apareceu entre os estudantes do 5º ano em matemática. A média subiu 6,9 pontos em um ano (de 209,6 para 216,5).

Já entre os formandos do ensino médio, subiu apenas 1,7 ponto e chegou a 270,4.

Com o desempenho, o aluno da rede, na média, conclui o ensino médio com nível inferior ao adequado para alunos três anos mais jovens.

Para o 9º ano do ensino fundamental, o adequado são 300 pontos. Ou seja, o formando no ensino médio não sabe, por exemplo, identificar a tendência de crescimento apresentada num gráfico.

A média em matemática no ensino médio é praticamente a mesma desde 2009. Já a do 5º ano sobe desde aquele ano.

Em português, também houve avanço maior no 5º ano do que no ensino médio.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) considerou "positivo" o resultado. Segundo ele, uma explicação para o avanço maior entre alunos mais novos é que há programas específicos para a etapa, como o Ler e Escrever (material e treinamento docente).

Para tentar acelerar o avanço, o governo estadual conta com programa de reforço de português e matemática.

O governo comemorou ainda que o percentual de alunos alfabetizados aos sete anos subiu de 95% para 99%.

META

A secretária-adjunta da Educação, Cleide Bochixio, disse que, neste mandato de Alckmin, a meta é retirar anualmente 10% dos alunos do patamar mais baixo da escala de notas.

De 2013 para 2014, o percentual foi atingido apenas em português no ensino médio.

"Os resultados podem ser o início de cenário positivo, mas é cedo para comemorar", disse a coordenadora da ONG Todos pela Educação, Alejandra Velasco. Segundo ela, é significativo um avanço de ao menos 25 pontos.

O pesquisador Ocimar Alavarse, da Faculdade de Educação da USP, diz que os professores de todas as matérias deveriam estar preocupados em ensinar leitura e matemática. "É o básico para tudo. Se o professor de geografia ensina relevo, deve estar atento à leitura dos estudantes."

Folha de S. Paulo